Grafiteiros defendem a rua como espaço para sua arte

O grafite é uma manifestação suburbana que durante muito tempo foi considerado vandalismo marginal. No entanto, os grafiteiros têm uma forma muito particular de expressar opiniões ao transformar as ruas em palco para a arte.

Ágape Espaço de Arte - Exposição “Lá da Rua” / Divulgação
Ágape Espaço de Arte - Exposição “Lá da Rua” / Divulgação

Nos últimos anos, os grafiteiros buscam uma alternativa para apresentar seus trabalhos já que as ruas não trazem retorno financeiro e servem como uma vitrine gratuita. Os grafites aparecem aos poucos em exposições e galerias de arte e, cada vez mais, os grafiteiros conquistam mais espaço e reconhecimento como artistas.

A artista plástica Daniela Meine não tem dúvida que grafite é arte. A proprietária do Ágape Espaço de Arte, recebeu em 2011 a exposição de grafites Lá da Rua. “São trabalhos incríveis e são pessoas com muito talento. Vários grafiteiros estão na faculdade aperfeiçoando e, inclusive, ensinando suas técnicas”, conta.

Com a abertura de galerias de arte para esse tipo de manifestação, o grafite acaba sendo visto por pessoas que geralmente não enxergam a arte nos muros ou paredes das ruas da cidade. “Foi muito divertido ver o choque cultural, perceber que podemos conviver numa boa com todos e que a arte é capaz disso, ultrapassa o preconceito”, diz Meine.

Contudo, quando o grafite da rua muda de plataforma, perde sua essência. Isso é o que defende o grafiteiro Rikardo Dias (Rikrdo). Para ele, “se o trabalho passa para uma tela, papel ou outro suporte que não seja na rua, não é grafite. Pode ser feito com spray, ser um personagem estilizado e tudo mais, mas não é grafite de fato, pois a característica mais forte é o fato de ser feito no cenário urbano”, explica.

Ricardo Dias (Rikrdo) - Grafitti + colagem / Arquivo pessoal
Ricardo Dias (Rikrdo) - Grafitti + colagem / Arquivo pessoal
The Holie / Arquivo pessoal
The Holie / Arquivo pessoal

Para o grafiteiro Ítalo Osório (The Holie), “a rua é incomparável. As texturas e suportes que encontramos não se encontram em nenhum outro lugar. Na rua, é no amor, ou seja, sem fins lucrativos. Já expor é buscar retorno, do contrário, não valeria a pena. Se não fosse por isso, pintaríamos somente na rua, porque é muito mais legal”.

Embora plasticamente o resultado de um grafite nos muros, paredes e demais superfícies das ruas, telas ou outros suportes seja semelhante, o processo é bem diferente. Nas ruas, seja aonde for, sempre tem o fator do inesperado. Há pessoas passando, carros buzinando, curiosos e toda uma atmosfera que acaba fazendo parte da pintura. O grafiteiro está sujeito a imprevistos e tem de aprender a conviver com isso, o que faz do grafite uma arte urbana improvisada, envolvente e alternativa totalmente ligada ao dia-a-dia das grandes cidades.

Texto: Bruno Viana.

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