Incertezas de um jornalismo totalmídia

Se você pensa que para ter sucesso no jornalismo atual é preciso ser um profissional multimídia, você está enganado. Hoje, segundo o jornalista Felipe Machado, da Rede Bom Dia, é necessário se transformar em totalmídia, isto é, dominar todas as novas ferramentas e não somente mais de uma. “O estudante que sai da faculdade não pode mais se dar ao luxo de dizer que só sabe escrever. Ele tem de dominar todas as plataformas ou pelo menos o maior número possível delas. Por isso, o mercado exige uma pessoa totalmídia”, explicou Machado, apresentando sua tese para o público do seminário mídia.JOR, realizado pela revista Imprensa entre os dias 12 e 13 de setembro, em São Paulo. “Mesmo que você não queira, as novas mídias estão aí e você deve saber lidar com elas. É preciso vontade, curiosidade e um pouco de técnica”, sustentou.

Por todos os lados do auditório que sediava o evento era possível perceber dezenas de notebooks, tablets e smartphones conectados com o mundo, transmitindo em tempo real o mídia.JOR. Os mediadores bem que tentavam desviar do tema em alguns painéis, mas o assunto dominava as conversas nos corredores. “Estamos completamente dependentes das inovações tecnológicas”, disse Raul Reis, na abertura do seminário, antecipando o tema que nortearia os debates nas 48 horas seguintes. Reis mora nos Estados Unidos e é decano da Escola de Jornalismo e Comunicação Social da Universidade Internacional da Flórida.

Apesar do consenso geral, uma dúvida foi lançada pela plateia. Ser totalmídia, fazer de tudo um pouco, não prejudica o conteúdo da informação? A resposta de Leonardo Stamillo, da Rádio CBN, foi a seguinte: “Pode prejudicar. O grande lance é tentar não comprometer o seu trabalho”. Sem sair pela tangente, um dos convidados mais aguardados do evento, o âncora da Record News Heródoto Barbeiro matou a polêmica no peito. “Não são só vocês, jovens, que estão assustados. Todos estamos sendo atropelados pelo mesmo caminhão”, definiu. “Eu mesmo não sei direito o que faço lá na Record. Ninguém escapa da terceira revolução industrial”, ressaltou Barbeiro.

Até quando o assunto era a “morte” do jornal impresso, o chamado jornalismo 2.0 entrava em cena novamente. “O papel só vai deixar existir quando houver uma textura digital semelhante às páginas que folheamos hoje no jornal. Só que sem sujeira”, afirmou Machado. Em seguida, a sensação foi de que dezenas de pontos de interrogação surgiram acima da cabeça do público. Seguindo a mesma linha, Barbeiro plantou mais uma dúvida: “Será que o jornalista perderá a função de interlocutor da notícia no futuro?”. Alguém arrisca responder?

Texto: Caetanno Freitas especial para o Editorial J
(formado pela Famecos em 2012/1)

1 comentário

  • Excelentes questionamentos para serem trabalhados dentro da faculdade. As incertezas ocupam a cabeça de todos profissionais nesse momento de “transição”, se o momento em si pode receber essa classificação. Estudar é o único caminho para ser absorvido pela evolução.

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