Informação contribui para cura das doenças da mente

Depressão é a doença que hoje mais incapacita as pessoas para o trabalho

  • Por: Liliane Moura (1° Semestre) e Natália Corteze (4º sem.) | Foto: Taimá Walther (6º sem.) | 16/05/2019 | 0

A ansiedade é um sentimento normal, todo ser humano tem. Sem ansiedade não se evoluí. Ela passa a ser um problema quando, ao invés de te mover para frente, ela te paralisa e não te deixa fazer as coisas. Geralmente, é ocasionada pela autocobrança e pressão, seja no trabalho, na faculdade, ou em questões pessoais, explica a professora do Departamento de Psiquiatria e Medicina Legal da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Clarissa Severino Gama.

A ansiedade é um sintoma de muitas doenças, podendo estar presente na bipolaridade e depressão. Existem alguns tipos de transtorno de ansiedade, como as fobias e o transtorno de ansiedade generalizado, que é quando a pessoa passa a maior parte dos seus dias, por pelo menos seis meses, sempre preocupada com coisas mínimas e ilógicas.

Por sua vez, na depressão, continua a psiquiatra e pesquisadora Clarissa, a pessoa sente muita dificuldade em fazer coisas simples, como querer sair com os amigos, comer uma comida que gosta, evoluindo ao ponto de não conseguir sair da cama ou, até mesmo, o suicídio. Ela afeta o indivíduo física e psicologicamente, impedindo o seu funcionamento normal no cotidiano. É um problema genético, com componentes ambientais, mas também, pode ser desencadeado sem motivo específico, pois é uma doença. De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), 15% de toda a população do mundo possui depressão, e também, é a doença que mais incapacita as pessoas em idades reprodutivas no mundo.

 

Neurotransmissores

Sentimentos de estresse agem na química do corpo, assim como a paixão e a ansiedade. Tudo está conectado. Interagimos constantemente com o ambiente, complementa Clarissa. A depressão é causada por um defeito nos neurotransmissores, responsáveis pela produção de hormônios. Por esse fato, a pessoa começa a apresentar sintomas como desânimo, tristeza, autoflagelamento, perda do interesse sexual e falta de energia para atividades simples.

Os antidepressivos inibem a recaptação dos neurotransmissores e ajudam a manter um nível elevado dos mesmos. Tanto na psicologia quanto na psiquiatria, o diagnóstico é feito por meio de entrevistas e conversas, que irão identificar as necessidades de cada paciente.  

Tanto da ansiedade quanto da depressão os sintomas  são: não conseguir se relacionar como antes, só querer ficar em casa, angústia, ansiedade, falta ou aumento do apetite, alteração no sono, tensão muscular, preocupação, medo em excesso e inquietação. “Eu não estava dormindo, andava fazendo muita coisa, comendo muita besteira. Me sentindo sempre muito estressada. Percebi que estava fora de controle”, relata Pietra Borges, uma jovem de 21 anos, estudante de Engenharia Civil, sorridente, bem resolvida e que adora falar do transtorno de ansiedade que sofre, para servir de incentivo a quem passa pelas mesmas coisas.

 

Psiquiatria x psicologia 

A psiquiatria e a psicologia andam juntas no processo de tratamento destas doenças. “No caso de eu identificar que a pessoa consiga melhorar apenas com o processo de psicologia, assim eu faço. Se estiver em um estágio mais elevado da depressão, eu encaminho para um psiquiatra, porque você precisa também da medicação que vai atuar na melhora dos seus neurotransmissores”, explica a psicóloga e colaboradora dos projetos de pesquisa desenvolvidos no Instituto do Cérebro do Rio Grande do Sul (Inscer), Francelise Freitas.

A psiquiatra Clarissa diz que o tempo de tratamento, no caso de medicação, varia conforme o diagnóstico do médico. Em média, após um ano, se tenta a parada, se a pessoa voltar a ter outros episódios, é bem provável que, a precise tomar medicamento pelo resto da vida. A psicoterapia aplicada por Francelise, tem duração de no máximo um ano, pois é focal. A pessoa ganha “alta”, quando ela começa a se sentir bem com ela mesma, quando consegue lidar com frustrações e que aquele foco que ela trouxe já está bem resolvido. Caso a pessoa queira continuar, as consultas não são mais de tratamento, mas sim, acompanhamento, então é diminuído a quantidade de sessões.

É imprescindível também, o apoio social para os que enfrentam esse dilema.  “A pessoa pode vir todos os dias fazer terapia e, por exemplo, se o marido não a apoiar e criticar, o tratamento não irá funcionar. Nesses casos, eu chamo a família para conversar (sem o paciente) e explico a situação. Em muitos deles, a família entende, mas já aconteceu de a família não aceitar mesmo falando comigo, e então, o paciente ter que abandonar a terapia”, ressalta a psicóloga Francelise Freitas.

 

Tabu

Na opinião da professora Clarissa, as doenças psiquiátricas têm muito estigma em volta, pois aparentam  ser doenças de controle do indivíduo. O que é ilógico pois, se a pessoa pudesse escolher, ela escolheria não ter depressão. Para ela, esse estigma é histórico pois, na Idade Média, queimavam mulheres que manifestavam a sua opinião e também pessoas com doenças mentais, que eram consideradas loucas. O louco foi excluído com o passar do tempo, assim como o tuberculoso e as prostitutas. Hoje, isso não ocorre mais, porém, ainda ficaram alguns resquícios.

Os transtornos psiquiátricos, de maneira geral, estão misturados com sentimento de culpa. “Eu não me abria para minha família, pois sabia que muitos não iam aceitar. Iam dizer que era preguiça, que era só eu levantar e ir fazer as coisas”, revela Nicole Silva, que sofre de depressão há três anos. As profissionais que atendem esses casos enfatizam que a  sociedade deve fazer um trabalho cotidiano, exercitando diálogos e levando a sério essa doença, tanto como todas as outras, para assim, diminuir o preconceito.

No entender de Clarissa, a mídia deveria abordar mais a problemática do suicídio pois, aumentam as chances de as pessoas falarem sobre isso e poderem evitar casos futuros. “O ideal é falar no sentido de promoção da vida ao invés de prevenção do suicídio, e não citar detalhes mórbidos.

Não existe uma fórmula mágica, entretanto, ter hábitos saudáveis, como dormir bem, possuir uma alimentação equilibrada e praticar atividades físicas, auxiliam muita na melhora da qualidade de vida do indivíduo. A psicanalista Mariana Ungaretti conta que o autoconhecimento e a busca na direção de coisas que, fazem o indivíduo bem, é mais uma via para lidar com esta doença.

 

Ajuda

Quanto mais cedo a pessoa  procurar por ajuda, maior a probabilidade de efetivação do tratamento. Diferente do que muitos pensam, a terapia não é de acesso apenas para quem pode pagar. Há tratamento para todos os bolsos. Um mesmo profissional pode atuar tanto na rede privada quanto na pública, caso da psiquiatra Clara de Oliveira que trabalhou em um Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) através do Sistema Único de Saúde (SUS), e hoje atende em um consultório na Zona Norte de Porto Alegre.  

Os locais de Porto Alegre que oferecem possibilidades de serviços com valores mais reduzidos são:

Instituição Sigmund Freud: Rua  Marquês do Herval, Porto Alegre .

Telefone: 3062 7400

Instituto Contemporâneo: Rua Casemiro de Abreu, Porto Alegre.

Telefone:  3019 5340

Centro de Estudos Psicanalíticos (CEP): Rua Tobias da Silva, Porto Alegre.  Telefone: 3222 3900

Instituto Fernando Pessoa: Rua Mariante, Porto Alegre.

Telefone: 3346 6588.

Fundação Universitária Mário Martins: Rua Dona Laura, Porto Alegre. Telefone: 3333 3266

 

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