Invisíveis ganham espaço na Voz da Comunidade

Jornal comunitário do Complexo do Alemão completa 10 anos em 2015. Idealizador do projeto, Renê Silva tinha apenas 11 anos quando concebeu a inciativa.

  • Por: Nicole Feijó (3º sem) | Foto: Frederico Martins (8º sem) | 05/10/2015 | 0

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Renê Silva, criador do jornal, divulga problemas que a grande mídia não mostra

Quando o jornal Voz da Comunidade surgiu, chamou a atenção imediatamente da grande mídia e dos brasileiros para os problemas enfrentados pela população do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro. Apesar da repercussão e do reconhecimento que a Voz obteve nestes 10 anos de existência, a atenção que a grande mídia destina aos problemas das comunidades não mudou, as notícias continuam sendo sobre ações de violência, admite o criador do jornal Renê Silva que esteve na Famecos por ocasião do 28° Set Universitário.

Neste ano o jornal comemora 10 anos. Para Renê Silva, a atenção que a grande mídia destina aos problemas das comunidades não se alterou neste período. “Ela pode ter mudado um pouco ao tratar a questão do Alemão, das favelas mais conhecidas, mas no geral, em se tratando de favela não mudou o enfoque”, declarou o jovem que criou o jornal quando tinha apenas 11 anos. “O Rio de Janeiro tem mais de 1350 favelas. Eles só dão destaque para o Complexo do Alemão, Vidigal, Rocinha, Cidade de Deus e Maré”, acrescenta.

Ao participar do 28º SET Universitário, Renê e os colegas Melissa Cannabrava e Betinho Casas Novas promoveram a oficina “Tamo Junto na Missão”, além de uma palestra relatando os 10 anos do jornal. O jovem criou a Voz para mostrar a realidade da população do Complexo do Alemão. Em 2010, por ocasião da ação da polícia militar que ocupou o Complexo do Alemão, ele percebeu a dimensão que o projeto atingiu por meio da sua conta pessoal no Twitter, que divulga notícias da comunidade para leitores de fora. Hoje, mais de 115.000 pessoas acompanham as postagens, mas foi durante a ocupação que ele viu os seguidores multiplicarem.

Agora, aos 21 anos, Renê acredita que cumpre seu objetivo de dar voz à comunidade, proporcionando visibilidade às pessoas que não são vistas pela polícia, tráfico e, principalmente, pela mídia. Ele esclarece que o jornal não sofre nenhum tipo de pressão no Alemão. “Acho que a maioria entende que nosso papel é mostrar a verdade, o lado humano dos moradores. Não interfere e não impacta na guerra e violência da polícia e do trafico”.

Além das redes sociais e do site, uma edição mensal impressa da Voz da Comunidade é distribuída. São 10.000 exemplares gratuitos por todo o Complexo do Alemão. Eles ainda contam com um Portal, site que une notícias de comunidades de todo o Brasil. O “Portal Voz das Comunidades” é feito por postagens de representantes em outros estados. O objetivo agora é expandir o alcance do projeto com a “Rede Voz”. O criador do jornal diz que “estamos no processo de buscar um líder em cada estado e conectar todas as comunidades do Brasil”.