Jovens usam Ritalina para enfrentar rotina de estudos

  • Por: Kamyla Jardín (8º sem.) | 22/11/2012 | 01
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Foto: Flickr | Paul Pellerito

A busca por estimulantes que mantêm a concentração durante horas de estudo é conhecida entre os jovens, sobretudo universitários. Prática ilegal, burla recomendações médicas e do governo, que controla a venda apenas com receita.

A moda de utilizar Ritalina, nome comercial de Metilfenidato, para fazer semana de estudo virar um dia, começou nos Estados Unidos e migrou para o Brasil, tornando-se um item cada vez mais comum na rotina de vestibulandos e universitários. Por ser uma forte substância do grupo de psicoestimulantes, há um controle bastante rigoroso na sua comercialização em farmácias, sendo obrigatória a apresentação da receita médica. Ela age no sistema nervoso central e provoca o aumento expressivo da transmissão de impulsos nervosos.

Segundo a especialista em neurologia, Doutora Angélica Dal Pizzol, a Ritalina é indicada no tratamento de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), também em doenças do sono como narcolepsia e hipersonia idiopática. No controle dos sintomas de TDAH, o medicamento é usado como parte de um programa de tratamento que inclui medidas psicológicas, educacionais e sociais. “O diagnóstico correto da doença requer uma investigação médica e neuropsicológica, baseada na história clínica e no exame físico”, informa a especialista.

Entretanto, muitos profissionais da saúde não se mostram tão rígidos como deveriam na prescrição do medicamento. Receitas são obtidas antes da realização de todos os exames e demais procedimentos que verificam se o paciente realmente tem a doença. A estudante de engenharia mecânica Roberta Campos revelou ter conseguido a receita de Ritalina sem o devido diagnóstico: “A semana de provas estava chegando e eu queria tomar o medicamento para os estudos renderem mais, então fui a um neurologista, informei que tinha dificuldades de concentração e ele me receitou o remédio. Fácil assim”.

Os jovens buscam a Ritalina pela sensação de euforia, maior concentração e diminuição do sono, porém, de acordo com a médica, as consequências de comprar e ingerir este medicamento de forma indevida são diversas. Os efeitos colaterais mais frequentes são dor de cabeça, insônia, irritabilidade, anorexia, náusea e vômitos. O que poucas pessoas sabem é que, além dos riscos de taquicardia (inclusive por quem utiliza o medicamento sob prescrição médica), o produto causa dependência física e psicológica. Quando utilizado por longos períodos e em doses excessivas, pode levar à morte de neurônios, ao desenvolvimento de comportamentos estereotipados e ao surgimento de distúrbios do sono.

Em 2009, o Brasil se tornou o segundo maior consumidor da droga, atrás apenas dos Estados Unidos. Entretanto, o consumo errado não é restrito aos vestibulandos e universitários. Crianças também são diagnosticadas – e até mesmo medicadas – de maneira equivocada com o TDAH.

Apesar de uma conscientização crescente sobre seus sintomas e tratamentos, a doença ainda provoca dúvidas entre as famílias. Algumas vezes, menores são simplesmente medicados por parentes e professores, sem acompanhamento psicológico adequado. Desta forma, alguns alunos mais inquietos ou imaturos são erroneamente diagnosticados, mesmo neurologicamente saudáveis. Contudo, a droga não deve ser usada para aliviar a fadiga normal.

A especialista em neurologia revela que não se opõe ao uso da medicação, desde que esse seja feito de modo consciente e com acompanhamento médico, tanto com crianças quando adultos. Além disso, devem ser feitos exames de sangue periódicos durante os tratamentos prolongados.

Para os pais que suspeitam que seus filhos possam sofrer de quaisquer tipos de transtornos de aprendizagem ou hiperatividade, a médica recomenda que busquem, antes de qualquer coisa, profissionais capazes de esclarecer todas as implicações dos possíveis tratamentos. Além disso, é preciso paciência e compreensão, acompanhamento em várias frentes e a preocupação em zelar pela autoestima dos afetados pela doença.

1 comentário

  • Ritalino
    20:17

    Olá, sou portador de déficit de atenção e quero parabenizar o seu artigo.
    Gostaria de relatar a minha experiência no vício e abuso dessa droga.
    Sempre fui um verdadeiro desastre no colégio, com a cabeça no mundo das nuvens, com alguns traumas por não conseguir seguir o padrão da sociedade. Até descobrir, ja adulto, que tinha todos os sintomas de déficit de atenção.
    Fui ao psiquiatra e o diagnóstico foi positivo, comecei a tratar com remédio e pesquisar mais sobre essa novidade em minha vida, até que li, para a minha tristeza, que ritlina tinha efeito mais forte e diferente quando aspirada, no começo não dei importância, mas com o passar do tempo a curiosidade falou mais alto.
    Peguei um comprimido, moí e cheirei, em menos de um minuto meu corpo e a respiração relaxaram e o coração começou a pulsar mais forte, minha concentração atingiu um novo patamar, era uma sensação muito boa, não durou muito a euforia, mas pude ler a madrugada inteira sem cansar, o prazer de ler foi surreal.
    Nos dias que se passaram repeti e aumentei as doses, até o remédio de um mês durar apenas três dias, emagreci muito, cheguei a dormir em média 5 horas em uma semana e estava com forte crise existencial.
    Quando parei, a crise de abstinência foi horrível, sentia estar preso no meu cérebro em um mundo falso, não tinha concentração nem para lavar louça, demorou um pouco para atingir o nível de foco normal de TDAH, fiquei com muito medo que não voltasse.
    Nunca mais fui ao psiquiatra para não ser levado pela saudades e usar novamente.
    Estou melhor assim =)

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