Lixo: matéria prima e inspiração

O que é lixo para alguns, é objeto de decoração e utilitário para outros. E foi asssim que surgiu a parceria entre os artistas paulistanos Pado e Rodrigo Machado, que se apropriam do lixo urbano para fazer arte. O projeto Urban Trash Art, que participou da Virada Cultural Paulista de 2014, ocorrida nos dias 17 e 18 de maio últimos, começou em janeiro de 2009, quando os dois integrantes trabalhavam juntos com cenografia e observaram que quando os eventos acabavam muita coisa era jogada fora.

“Daí começamos a conversar sobre aquele refugo e ficamos com vontade de fazer algo juntos, tanto eu como ele já trabalhávamos com material descartado, então saímos num domingo, em janeiro de 2009, e montamos nossa primeira instalação”, conta Rodrigo.

Com a ideia de reaproveitar objetos e todo o tipo de material que já teve alguma utilidade e foi descartado pela sociedade, eles recolhem em empresas, casas, caçambas e ainda recebem doações. Cada um dos integrantes do UTA tem um atelier, porém, em determinados momentos, ainda falta espaço.

“Para esta Virada, usamos os quintais dos nossos vizinhos, mas antes, quando morávamos em casas, chegamos a guardar quase 2 toneladas de resíduos em nossas garagens […] a gente se vira como pode.”, completa Rodrigo.

Para a Virada, o projeto desenvolveu bancos feitos de pallets para criar ilhas de descanso nos locais dos eventos. De acordo com Miguel Salvatore, curador das artes visuais dessa edição, algumas questões podem ser trabalhadas através da cultura. O curador afirma que o mobiliáro urbano é uma questão onde falta diálogo entre a cidade e os cidadãos.

˜O Urban trabalha com isso, unindo aspectos da problemática dos resíduos sólidos, do lixo. Os bancos trouxeram essa mixagem própria da cultura digital: mobiliário, arte, lixo eaproximação com movimentos civis, no caso o movimento pela ocupação do Largo da Batata, onde alguns dos bancos repousarão˜, afirma Miguel.

Miguel refere-se ao fato de que, depois de utilizados nos dois dias de maratona cultural, os bancos ficarão no Largo do Batata, local que recebe um movimento que reúne pessoas no fins de tarde das sextas-feiras. É o lixo virando arte para agregar cultura à cidade.

Texto: Elisa Celia (8º semestre)
Foto: Leandro Martins/Milenar Imagens

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