Malvinas, uma disputa que não quer acabar

Em 1982 o mundo assistia incrédulo ao fim de um confronto entre uma nação de primeiro mundo, Reino Unido, contra uma de terceiro, Argentina, pela soberania de um território conhecido como Ilhas Malvinas. O conflito pelas Falklands, nome britânico, durou pouco mais de dois meses, 2 de abril a 14 de junho do referido ano, tendo a nação europeia como vitoriosa. Entretanto, trinta anos após o seu encerramento, as rusgas entre os dois países parecem não ter terminado, com lideranças políticas de ambos os lados discordando sobre quem deve governar o arquipélago.

Segundo o professor do mestrado de Relações Internacionais da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Raul Rojo, essa é uma disputa que dura muito mais que trinta anos, e que teve origem no século XIX: “é preciso assinalar que esse conflito envolvendo a soberania sobre as Ilhas Malvinas é mais que secular (no ano 2013 cumprirá 180 anos, pois data de 1833) e que as Ilhas estão sob domínio britânico não como consequência de uma guerra perdida (como o litoral do Pacífico, que o Chile ganhou da Bolívia, depois da Guerra do Pacífico) ou de um tratado”, complete Raul.

Com as recentes descobertas de petroléo na região das ilhas em 2010 e 2011 a discussão poderia sair da esfera política para entrar também no âmbito econômico. Contudo, Rojo acredita que essa motivação não irá entrar com uma força na disputa: “pelo momento trata-se de especulações ou cálculos mais que de jazidas comprovadas. E mesmo que chegassem a concretizar-se, deverá ter-se em conta que estamos falando de um dos mares mais frios, agitados, turbulentos e tormentosos do mundo (com ondas de mais de 12m de altura), onde a operação das plataformas e, sobretudo a segurança dos poços perfurados e das tubulações decorrentes, podem ficar muito comprometidas, ademais de ser singularmente caras”, conclui.

Com o intuito de dar um fim ao conflito, na primeira metade de 2013 será realizado um plebiscito com a população local, perguntando se eles são favoráveis ou não ao domínio britânico às Malvinas. Em um comunicado divulgado em junho deste ano, Gavin Phillip Short, presidente da Assembleia Legislativa local, explicou o propósito do plebiscito: “Realizaremos o plebiscito não porque tenhamos alguma dúvida de quem somos e de qual futuro queremos, mas para mostrar ao mundo o quanto estamos seguros sobre isso”. Atualmente, as Malvinas têm uma população estimada em 3100 habitantes, em uma área de, aproximadamente, 12.200 km².

Leia a entrevista com Lisa Watson, editora do periódico de maior circulação nas Malvinas, o Penguin News, para saber quais são as impressões da população local sobre o conflito.

Texto: Guilherme Barcellos (8º semestre)
Imagens: Fernando de Tacca

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