Médico é o elo entre doador e transplantado

Foi na década de 80 que a doação de órgãos se tornou uma prática rotineira no Brasil. São em média 30 anos de histórias que chegaram perto do fim, mas que não acabaram. Sendo uma atividade recente, os transplantes têm salvado cada vez mais vidas. Somente nesse ano, aqui no Estado, estima-se que 1.217 doações foram feitas. Muitos desses desfechos felizes foram acompanhados pelo médico transplantista Salvador Gullo Neto, referência na área e que, para desmentir a frieza do imaginário popular, é fervoroso para falar sobre a doação de órgãos.

A morte pode significar um recomeço
Doação de órgãos depende exclusivamente de autorização da família
ONGs auxiliam pacientes à espera na fila de transplantes

Sendo um elo entre doador e transplantado, ele trabalha pela causa desde os anos 2000 no Hospital São Lucas da PUCRS e ressalta que não há porque temer quando o assunto é se declarar ou não como doador. Segundo Gullo Neto, quando os médicos diagnosticam morte cerebral (pré-requisito para tornar possível o transplante), significa que apesar do coração estar batendo e dos outros órgãos estarem funcionando, o cérebro já morreu, portanto, o paciente não tem volta. “Quando isso acontece, a situação já é irreversível. Ser um doador, ou não, não muda o fato de que aquele paciente não volta mais, então, porque não doar?”, indaga afirmando ainda os boatos de que a morte de algumas pessoas seria provocada por médicos com a função de reutilizados os órgãos é pura fantasia. “Esta situação não existe. O sistema de saúde em nosso país é organizado e os protocolos de morte cerebral são bastante rígidos e, mesmo se são fossem, não faria sentido um médico preferir uma vida a outra”, afirma ele.

Doutor Gullo Neto, considerado um entusiasta da causa, acredita que se informações como essas chegassem a toda a população, o ato da doação, classificado por ele como um ato de amor, seria mais corriqueiro. Para o Doutor, algumas pessoas só tem noção do quanto essa decisão de ser doador pode ser importante quando estão do outro lado da história.

Há alguns anos, um paciente dele que nunca havia pensado sobre a hipótese de ser doador precisou fazer um transplante de rim. Depois de viver vários anos muito bem com um rim novo, ele sofreu um acidente cerebral. Algum tempo depois a família contou ao Doutor que, depois do órgão recebido, ele não hesitou mais sobre o fato de se tornar um doador também. “Seu fígado e seus pulmões foram transplantados para outros pacientes em listas de espera, dando continuidade a essa corrente de solidariedade que só reforça o amor entre as pessoas”, conta o doutor, ressaltando ainda que até oito pacientes podem ter sua vida salva com a morte e, claro, solidariedade de um único doador.

Texto: Bárbara Souza (7º semestre)

2 comentários

Deixe um comentário