Mercosul debate moeda única há 13 anos

  • Por: Gustavo Fister | 02/12/2011 | 5

A ideia de adotar uma moeda única para o Mercado Comum do Sul (MERCOSUL) é debatida pelos membros do bloco há mais de 13 anos.  Em julho de 1998 o protocolo de Ushuaia (cidade da Argentina) deu um importante passo rumo à integração econômica das nações que formam o grupo. Estabeleceu-se um plano de uniformização de taxas de juros, índice de déficit e taxas de inflação. O documento também previa a criação de uma moeda única, porém não estabelecia uma data certa para a sua implantação. Hoje, Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai ainda divergem em muitos pontos estabelecidos no acordo e deixam cada vez mais distante a possibilidade de uma unificação monetária.

As vantagens da moeda única

Os defensores da causa argumentam que isso formaria uma Área Monetária Ótima (AMO). AMO é um conceito criado pelo economista canadense Robert Mundell (prêmio Nobel da Economia em 1999) e corresponde a uma região geográfica em que maximiza-se a eficiência econômica ao se adotar uma moeda comum. Os trabalhos de Mundell influenciaram a criação do Euro.  Isso facilitaria as trocas comerciais entre os países e os tornariam alvos de forte massa de investimentos.

O professor de Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Emil Albert Sobottka, acredita que o MERCOSUL teria benefícios na área comercial caso adotasse uma moeda universal. Ele afirma que o fim da incerteza cambial e não pagamento de taxas estimularia o comércio. “Na área comercial o bloco teria muito a ganhar. Hoje os países fazem as trocas por intermédio do dólar ou da moeda local. Isso causa muita incerteza cambial. Eliminando essa insegurança, a moeda única estimularia a integração comercial e os investimentos trazendo, por consequência, o crescimento econômico dos países membros”

O advogado e economista da Fundação de Economia e Estatística, Antônio Carlos Fraquelli, vai mais além. Para o economista, a cédula única ajudaria no combate a inflação e na criação de empregos. “Com a unificação monetária, seria possível constituir uma conjuntura de preços na zona do MERCOSUL, que exerceria uma influência moderadora na fixação de preços e salários. Dessa maneira, os índices de inflação diminuiriam e poderiam dar origens a taxas de juros mais baixas. Tudo isso aumentaria a concorrência e faria com que recursos disponíveis fossem utilizados de forma mais eficiente, estimulando o comércio intra-área e, consequentemente, favorecendo a geração de empregos e o crescimento”.

Os riscos do projeto

Em setembro de 2010, pouco antes de falecer, o ex-presidente argentino Nestor Kirchner, que na época ocupava o cargo de secretário Geral da União de Nações Sul-Americanas (Unasul), se posicionou contra a moeda única na região. O ex-chefe de Estado citou a crise do Euro e o colapso econômico que países como Grécia, Espanha e Portugal estavam enfrentando. Segundo Kirchner, se as nações não possuem as mesmas estruturas e políticas, não haverá a possibilidade de ter um banco central único.

Seguindo a mesma linha de raciocínio do ex-líder argentino, o professor de ciências sociais Emil Sobbottka, argumenta que Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai não estão dispostos a abrir mão de parte da soberania em nome de um bloco econômico. Ele reforça que a perda de autonomia nas ações monetárias desestimula os países a acolher a causa.  “Com uma moeda única, você perde a possibilidade de fazer as suas próprias políticas econômicas. As nações terão de cumprir normas rígidas como controle de inflação, taxas de juros, preços e salários. Caso um dos membros não cumpra essas normas, todo o grupo sofrerá as conseqüências”.

O economista Antônio Fraquelli ressalta as dificuldades que a Europa vem enfrentando com as crises na Grécia, Portugal e Espanha como exemplo do medo que aflige os componentes do Mercosul quando tratam do tema. “A Europa tem acumulado crise após crise. Primeiro foi a Grécia, depois a Espanha e no primeiro semestre deste ano Portugal. Todos eles não cumpriram com as metas pré-estabelecidas. Os números do déficit público, da inflação e do desemprego empurraram a União Europeia para baixo”.

Hoje, os países do MERCOSUL possuem políticas econômicas muito distintas e oscilantes. Para que o grau máximo de integração seja alcançado, um longo caminho deve ser trilhado e muitas concessões deverão ser feitas entre as nações. O cenário de crise na Europa assusta e Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai não parecem dispostos a embarcar nessa jornada.

5 comentários

  • Diego silva
    16:20

    Eu quiero saber qual es una moeda mercosul

    • Fabio
      7:16

      No existe aun una moneda única del mercosur
      e es mejor non tenerla hasta che la integración económica no sea completada

  • Hallif
    6:48

    Seria muito bom se o MERCOSUL adotasse uma moeda unica pois todos os paises que intrega este bloco ficariam mas fortalecidos e competitivos em meio a Crise Europeia.

  • Marcel
    21:11

    A moeda poderia se chamar Bolívar em homenagem a Simon Bolívar!

  • Eu adoraria ver uma única moeda no mercosul, acho que vale a pena arriscar pq vejo mais vantagens do que desvantagens, o mercado do MERCOSUL é muito consumidor em diversos aspectos , seria muito bom se fôssemos clientes um do outro, e o bloco só teria o que ganhar nesse caso.

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