“Movimento não caiu por conta da SMIC”

A Cidade Baixa, tradicional bairro da boemia portoalegrense, parece estar mais vazia nos últimos tempos. Enquanto freqüentadores e proprietários de alguns bares responsabilizam o decreto que institui novos horários para os estabelecimentos noturnos do bairro pela queda no movimento, a Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (SMIC), responsável por ações de fiscalização em bares, não vê relação entre os fatos.

Omar Ferri Júnior, secretário municipal da produção, indústria e comércio, crê que queda no movimento da Cidade Baixa é resultado de uma associação de fatores. “Falar que há menos pessoas por conta da SMIC não é verdade. Juntamente com a regulamentação, veio a operação Balada Segura, férias, um momento econômico diferente no país e ações mais freqüentes da Brigada Militar”, pondera. E lembra: “Realizamos ações desde outubro de 2011”.

Segundo o secretário, o resultado das operações da SMIC é outro: “O que ocorreu, na realidade, foi uma queda no número de ambulantes, aqueles que vendiam bebidas em isopores no meio da rua ou da calçada, o que não é permitido”, afirma. Para ele, é isso que explica a redução no movimento das noites do bairro. “Diminuiu o número de pessoas nas ruas, mas os estabelecimentos estão cheios. A situação já se normalizou”, garante.

Caso exemplar do prejuízo sofrido por donos de bares após os novos horários, o Cachorro do Elio já foi interditado em duas oportunidades. Ferri Júnior alega que interdições ocorreram em razão da condição irregular do bar. “O Elio tinha alvará para funcionar até as 22h durante dias de semana e meia-noite às sextas e sábados, mas operava durante toda noite”, recorda. Entre os quase 100 bares da região, quatro foram fechados pela SMIC em algum momento. Entre o último grupo, apenas o Cachorro do Elio não possuía música ao vivo. “Essa interdições aconteceram porque não havia isolamento acústico nesses bares. No Elio, mesmo sem música, isso também era necessário, pois o ruído vindo dos freqüentadores criava essa exigência de adequação”, explica.

Parte dos freqüentadores da rua José do Patrocínio, onde estão o Cachorro do Elio e outros bares de preços acessíveis, vêem as ações da SMIC como parte de uma política higienista da prefeitura de Porto Alegre. Ferri Júnior, porém, nega prontamente essas afirmações. “Isso não procede, não há qualquer tipo de política higienista por parte da SMIC ou da prefeitura. Elio e Mr. Dam, que são vizinhos, inclusive, foram fechados por não terem cumprido compromisso de adequação com a SMIC”, finaliza.

 

Texto: Caio Venâncio (1º semestre)

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