Mulheres são as principais clientes de sex shops no Rio Grande do Sul

A busca pelo prazer sexual não é mais uma particularidade dos homens. As mulheres de todas as idades, gêneros e classes sociais também saem a busca de satisfação de seus desejos em quatro paredes. Sejam nas lojas especializadas ou em locais alternativos, os brinquedos que apimentam as relações agradam tanto a mulheres que se satisfazem sozinhas quanto em momentos a dois.

Frequentar Sex Shops está longe de ser uma atividade somente para um nicho específico de garotas: “As mulheres que frequentam Sex Shops são solteiras, casadas, viúvas, separadas e de todas as idades. Desde jovens de 20 anos a senhoras de 75”, é o que esclarece a sexóloga Rafaela Couto. O fato de esses produtos também serem encontrados em locais alternativos, como salões de beleza e academias, por exemplo, facilitam o consumo de mulheres interessadas no mercado erótico.

A utilização de brinquedos sexuais está longe de ser algo feito somente por mulheres solteiras. As que possuem longos relacionamentos ou casamentos já duradouros encontram na alternativa um intensificador na relação sexual a dois: “O homem gosta quando a mulher torna a relação sexual mais divertida, utilizando brinquedinhos eróticos. Mas ele não costuma procurar esses brinquedos para aquecer uma relação morna”, esclarece Couto. O uso do artifício também assegura as mulheres preliminares mais longas, momento que muitos homens preferem ignorar.

A diminuição da timidez e o entendimento da mulher de que ela tem direto ao prazer são fatores que justificam a maior presença das mulheres nas Sex Shops. Por isso, são procurados os mais diversos tipos de produtos sem medo. De modo geral, a ordem de procura nas principais lojas do ramo seguem o seguinte modelo, segundo Couto: “Em primeiro lugar estão os estimuladores de clitóris, em formatos de abelinhas, borboletas, batom, pincel para blush. Depois, em segundo lugar, os anéis penianos que estimulam os dois ao mesmo tempo. E, em terceiro lugar os rabbits e vibradores wireless”.

Uma Sex Shop, para ser amplamente utilizada pelas mulheres, precisa ser discreta, ter um atendimento respeitoso e informações passadas corretamente sobre os produtos. “Ter lingerie de boa qualidade e, é claro, produtos eróticos para que a mulher possa utilizar sozinha (vibradores) e outros que possa utilizar com seu parceiro”, complementa a sexóloga. Essas qualidades ajudam a manter o mercado erótico aquecido: estimativas mostram que o setor movimenta cerca de R$ 900 milhões por ano.

Sex Shops caem no gosto das gaúchas e gaúchos

Nascida na Alemanha, a primeira loja que surgiu com conceito totalmente sexual se intitulava de Instituto de Higiene Conjugal. Em 1962, a cidade de Flensburg sediou a ideia inovadora de Beate Uhse. Atualmente, a marca reduziu seu nome para somente Uhse e é uma das maiores redes mundiais de artigos sexuais. Com a revolução sexual dos anos 1960, o passar dos tempos e mudanças de mentalidade, são muitos os solteiros e casados que fazem uso dos artigos ofertados pelas lojas que se popularizaram pelo mundo todo. A procura não respeita gêneros: “As mulheres hoje já não ficam constrangidas em lojas eróticas”, revela Rafaela Couto.

Nos inúmeros bairros da cidade de Porto Alegre, existem lojas que se dedicam a vender prazer. Com produtos diversificados e que agradam a todos os estilos, as Sex Shops gaúchas atraem o público feminino. É o caso da Toques Moda Íntima, no bairro Moinhos de Vento, onde as mulheres de 20 a 50 anos são maioria. Os produtos mais vendidos são os gels aromatizantes com sensação quente e frio e vibradores líquidos, alcançando a média de 15 unidades por mês. Em outro extremo da cidade, no bairro Cavalhada, a loja Empório do Desejo possui nos homens o público mais assíduo, mas nas mulheres de 28 a 57 anos o maior poder de compra. Cápsulas explosivas, anel peniano com vibrador e gel térmico fogo e gelo são os mais procurados. A Sex Shop Ensaio X, localizada na avenida Independência, possui 60% de seu público nas mulheres de 20 a 50 anos. O anel vibratório, mais conhecido como gatinho, é o mais vendido do estabelecimento.

Evolução cultural

Nos tempos mais antigos, as mulheres eram consideradas seres assexuados, onde os homens procuravam as “santas” para casar e as prostitutas para saciar o desejo sexual. Atualmente, muitos foram os fatores que se modificaram e auxiliaram para uma evolução dos pensamentos: “O conhecimento sobre sexo aumentou, sem dúvida. Mas ainda há muito preconceito e muitos tabus. Foram muitos os anos de repressão, principalmente em relação à mulher”, esclarece a sexóloga e psicanalista Rafaela Couto. A maior mudança que ocorreu entre as mulheres é que hoje elas podem ter uma vida sexual ativa sem nenhuma necessidade de se casar.

A busca pelo prazer sexual e os artifícios para melhorá-la são atitudes que pertencem unicamente às mulheres. Hoje, elas se autorizam a falar dos desejos de forma aberta e consciência limpa. Entretanto, muitas são as moças que não reagem da mesma forma devido a uma educação religiosa e que trata do sexo como algo proibido ou resultado de pecado. “A falta de prazer vem dessa educação repressiva e da ideia que durante séculos foi passada para a mulher de que a relação sexual era um departamento do homem e que ela estava ali para oferecer prazer, não para buscá-lo”, afirma Couto.

A cultura, a família, a religião e a sociedade ainda exercem impacto em uma possível repressão sexual. Os homens, por exemplo, ainda se sentem ameaçados quando encontram uma mulher liberal sexualmente devido ao fato de que eles não foram educados para esse tipo de comportamento. “A mulher que é protagonista de seu próprio prazer existe, mas ainda assusta grande parte dos homens”, esclarece Couto. Mulheres desse tipo existem no mundo todo, mas são poucas que realmente exteriorizam esse desejo, como defende a sexóloga: “Porque teme uma sociedade que ainda valoriza a virgindade como um troféu para o homem.”

Texto: Karyne de Oliveira (6º semestre)
Foto: Pierrre Bonnaf (Flickr)

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