Nível de endividamento das famílias gaúchas aumenta

O número de famílias endividadas cresce no Rio Grande do Sul. Conforme as últimas edições da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência das Famílias gaúchas (Peic-RS), divulgadas pela Fecomércio-RS, o percentual de famílias endividadas chegou a 73,2% em agosto deste ano. O índice supera quase todos os outros meses do ano, apenas abaixo de maio (76,7%).

Na comparação com o mesmo mês do ano passado, foi observado um aumento de 3,6% nas famílias endividadas. Além disso, os dados sobre as famílias com contas em atraso e sem condições de pagamento também avançaram, 43,6% e 6,4%, respectivamente. De acordo com os economistas da Fecomércio-RS, a parcela da população endividada sofreu os efeitos da quitação de parte das dívidas contraídas na época do Natal, do Dia dos Pais e de medidas de redução das taxas de juros principalmente de produtos adquiridos a prazo.

Segundo o economista da Fundação de Economia e Estatística (FEE), Alfredo Meneghetti, o alto índice de endividamento é resultado da renda das famílias gaúchas. “Nós somos o quarto estado que tem a maior renda per capita. Estamos abaixo de Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo”. Ele ressalta que esse acesso a produtos e serviços estimula o assédio do comércio e da indústria em relação à oferta. “Os empreendedores tem o sentimento de que o gaúcho tem muita renda. Isso fragiliza a noção do consumidor a resistir a esse impulsos”.

Meneghetti também destaca que a melhor opção ainda é guardar o dinheiro, formar um recurso e então pagar à vista.” Nós somos um dos estados que mais usa o cartão de crédito. No Brasil nos temos 700 milhões de cartões de plástico que abrangem de débito, crédito e redes de loja. Se dividirmos por 200 milhões de brasileiros que somos são três cartões por pessoa”, destaca. O efeito dos pagamentos a prazo é que as parcelas que os consumidores assumem sobrepõem-se às anteriores de outras contas.

Para o economista da FEE, as taxas de juros baixas vão aumentar o apetite do consumidor. “A redução de impostos, principalmente o IPI está diminuindo o preço dos automóveis e dos eletrodomésticos da linha branca. Isso significa mais um estímulo ao consumidor”. Essa política de redução da taxa de juros impacta também as famílias do resto do país, em que pelo menos um quarto está endividada. Mas ao contrário do Rio Grande do Sul, o endividamento é percebido nas classes mais baixas. A migração das classes D e E para classe C nos últimos dez anos gerou um maior consumo nas classes mais baixas. “Temos um contingente maior na classe média brasileira, entretanto é uma classe muito fragilizada. No momento que eles perdem uma oportunidade de emprego eles já baixam para a classe anterior”, assinala Meneghetti.

A segunda causa para o endividamento das classes mais baixas no país é a falta de noções financeiras. “Muitas vezes eles dão uma passo além das suas possibilidades”, ressalta Meneghetti. Como conselho, recomenda economizar antes de comprar e verificar se não pode alcançar seu desejo com o que já possui, para evitar novas dívidas.

Ouça algumas dicas de economia pessoal com o economista Alfredo Meneghetti.

Texto: Juliana de González e Silva (7º semestre)

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