ONGs auxiliam pacientes à espera na fila de transplantes

Criada em 1999, a organização não-governamental ViaVida nasceu do sofrimento de um casal diante de seu filho adolescente, que precisava de uma doação, mas não encontrou compatibilidade na família. O casal, então, se uniu com outras famílias que viviam situações parecidas, simpatizantes da causa e voluntários para lutar pela diminuição do número de pessoas nas filas de espera.

A morte pode significar um recomeço
Doação de órgãos depende exclusivamente de autorização da família
Médico é o elo entre doador e transplantado

A diretora da ONG, Lucia Elbern, conta que os principais objetivos da ViaVida são conscientizar a população sobre a importância de ser um doador de órgãos e promover a saúde e o bem estar de pessoas que aguardam a doação. Com uma equipe formada por sete funcionários e cerca de 50 voluntários, o grupo sobrevive de doações de pessoas físicas e jurídicas, além de promover eventos beneficentes, brechós realizados a partir de doações e vender produtos como livros, agendas e artesanato.

Para auxiliar pacientes de baixa renda que vem a Porto Alegre para seus tratamentos enquanto aguardam um órgão compatível, principalmente crianças e adolescentes, foi criada a Pousada Solidariedade. “É uma casa de hospedagem com dez leitos para pessoas doentes em lista de espera por um órgão ou tecido para transplante, ou no pós, em recuperação, ou ainda em revisão pós-transplante”, explica Lucia. “Durante a estadia, os hóspedes desfrutam momentos de apoio e lazer, oficinas e aulas de informática, além das festas comemorativas, como aniversários, Páscoa, Dia das Crianças e Natal”, explica.

Surgida em janeiro de 2004, a pousada já abrigou 612 doentes em pré ou pós-transplante, sendo 365 crianças (59,64%) e 247 adultos (40,36%). “São 612 famílias que conseguiram oferecer acesso ao tratamento por transplante ao familiar doente, possibilitando-lhe ter uma melhor qualidade de vida ou a vida salva”.

Através de seminários, congressos, palestras e outros encontros de discussão, materiais impressos como livros e folders e internet, a ViaVida busca, além de conscientizar a população em geral, aprimorar o trabalho de seus próprios voluntários e trabalhar em integração com outras entidades públicas e privadas que lutem pela mesma causa. “Elaboramos ações de apoio ao desenvolvimento institucional do SUS, no que respeita ao processo doação-transplantes, e apoiamos ações governamentais e de outras organizações privadas que visem a saúde e, em especial, no campo da doação de órgãos e tecidos e dos transplantes”, conta a diretora.

“A entidade teve sempre como foco a diminuição da lista de espera por uma cirurgia”, conta Lucia. Até setembro de 2012, o Brasil havia registrado um aumento de 20% em relação às doações de órgãos do ano anterior – o índice no Rio Grande do Sul aumentou em 17%. Segundo ela, isso acontece principalmente ao propósito do governo de zerar a lista de espera para córneas. “Também houve melhorias na Central de Transplantes, e o funcionamento de três equipes OPOS (Organização de Procura de Órgãos)”, complementa.

Ouça a entrevista com a psicóloga Glória Mallmann, que trabalha como voluntária na ONG Via Vida, em Porto Alegre-RS, sobre a experiência com os moradores da Pousada da Solidariedade.

Texto: Mariana González (7º semestre)
Produção e edição do áudio: Bruna Fernanda Suptitz (6º semestre)

4 comentários

Deixe um comentário