“Os moradores da ilha já escolheram o seu governo”

Conversamos com Lisa Watson, editora do periódico de maior circulação nas Malvinas, o Penguin News, para saber quais são as impressões da população local sobre o conflito.

De acordo com a constituição do Reino Unido, o plebiscito que será realizado no próximo ano não tem nenhum tipo de desdobramento legal. Então, o que vocês esperam desse ato?

Lisa – É mais para deixar aos dois países que os moradores das Malvinas preferem (presumivelmente) que as ilhas sejam um território britânico ultramarino. No passado, a Argentina tentou sugerir que os moradores da ilha eram como “reféns” do Reino Unido, e que não possuíam qualquer chance de escolha sobre quem os governaria – tentando passar uma mensagem à comunidade internacional. Os moradores da ilha já escolheram o seu governo, e ninguém mais pode escolher por eles.

Há alguma corrente de pensamento na ilha com ideias de criar um novo estado? (nem britânico, nem argentino)
Lisa – Muitas pessoas veem a independência como uma aspiração para um futuro distante – mas não é uma ideia fortemente abraçada no momento, especialmente considerando as pressões que o atual governo argentino vem exercendo. Mas sim, essa é uma ideia debatida por alguns setores da comunidade.

Há pessoas com raízes argentinas na ilha? Como eles se sentem sobre a situação no geral?
Lisa – Sim, há algumas famílias, mas elas são totalmente integradas à comunidade.

E qual é a segunda língua ensinada nas escolas?
Lisa – O espanhol é a segunda língua oficial, e muitos moradores daqui costumam viajar pela América do Sul. 

Recentemente, antes dos Jogos Olímpicos de Londres, houve um certo buzz na  Internet sobre um comercial de televisão do governo argentino (veja o vídeo acima), mostrando o capitão do time de hóquei da seleção argentina correndo e fazendo alguns exercícios em Port Stanley (capital das Malvinas). Como a população reagiu a isso?
Lisa – Eles ficaram ofendidos, mas a maior parte levou com um certo senso de humor. Alguns até mesmo criaram uma cópia irreverente do vídeo.

E no geral, como as pessoas reagem a essa história permanente de conflito?
Lisa – A maior parte dos moradores só segue com as suas vidas – não é algo que impacte muito no dia a dia deles. Eles acompanham as notícias, é claro, mas não deixam que isso tome conta de suas rotinas.

Leia a matéria principal, Malvinas, uma disputa que não quer acabar.

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