Partido dos Trabalhadores fica maior mesmo com o Mensalão

O julgamento dos 25 réus do Mensalão, que culminou na prisão de 11 acusados em pleno feriado de Proclamação da República, na última sexta-feira (15), tem gerado uma movimentação de apoio ao Partido dos Trabalhadores (PT). Informações de um levantamento feito pela reportagem do Editorial J mostram que o partido teve aumento no número de filiados desde antes da divulgação do Caso Mensalão, continuando a crescer ainda durante o julgamento. O salto entre novembro de 2005 até outubro de 2013 chega a 50%.

Atualmente, o PT afirma que além do apoio da juventude militante, ainda há uma busca por pré-cadastros para filiações no site do partido, principalmente de jovens usuários das redes sociais. A assessoria do partido afirma que foram 376 pré-cadastros, o que representa mais de 2.000% nesta procura em relação à última semana. No entanto, é importante frisar que isso não significa uma filiação definitiva, sendo necessário um trâmite burocrático na cidade destes interessados. A própria assessoria do diretório central não acredita que este quadro de grande crescimento se mantenha, já que é motivado pelo fato das prisões.

Em função das manifestações favoráveis ao PT nas redes sociais, o Editorial J fez um levantamento sobre o crescimento de filiados entre o ano anterior a divulgação do mensalão até agora. A parcela de eleitores filiados a todas as legendas representava, em 2004, 9,7% do total de eleitores do país (mais de 121 milhões), e o PT agregava uma parcela de 8,3% destes filiados. Já em julho de 2005, um mês após a publicação da revista Veja sobre o esquema de corrupção, mais de 11 milhões do total de eleitores eram filiados a algum partido, sendo que destes 9% eram petistas. Deste período para outubro de 2013, o número subiu para cerca de 15 milhões de eleitores filiados a partidos políticos e 10,4% eram do PT.

Os dados também mostram um fortalecimento político do partido pelas próprias eleições. Foram três mandatos presidenciais consecutivos, além do aumento de municípios com prefeitos petistas. Em 2004, foram 413 eleitos. Quatro anos depois conseguiram eleger 572 e, na última eleição (2012), foram 657 prefeitos do PT escolhidos pelo voto em todo o país. Ao longo do período de denúncia e outubro deste ano, o número de filiados ao partido aumentou em 50%. O levantamento foi feito com base nos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A partir desta análise é possível compreender que a curva de crescimento dos filiados ao partido tem acompanhado o aumento de filiados em geral no país. Significa que o PT não sofreu um abalo com o julgamento do Caso Mensalão.

Esse crescimento representa que o partido tem sido bem sucedido nos seus programas políticos, é o que afirma o doutor em Ciências Políticas Rafael Machado Madeira. Para ele, é compreensível essa manutenção do apoio ao partido por uma maior parcela da população que é beneficiada pelos programas sociais, pelo aumento salarial e pelo maior número de empregos no país. “A esfera econômica se sobrepôs a política nesta questão [do mensalão], a corrupção gerou um desgaste em outro público, a classe média”, analisa.

Presos políticos

Em resposta aos decretos de prisão dos réus do mensalão, o atual governador petista do Rio Grande do Sul , Tarso Genro, declarou em texto para o site Sul21 que a sentença foi um ato político, pressionado pela direita que não conseguiu vencer nas urnas nas três últimas eleições para presidente.

“O chamado processo do ‘mensalão’ obedeceu minimamente aos ritos formais do Estado de Direito, com atropelos passíveis de serem cometido sem maiores danos à defesa, para chegar a final previamente determinado, exigido pela grande mídia, contingenciado por ela e expressando plenamente o que as forças mais elitistas e conservadoras do país pretendiam do processo: derrotados na política, hoje com três mandatos progressistas nas costas, levaram a disputa ao Poder Judiciário para uma gloriosa ‘revanche’: ali, a direita derrotada poderia fundir (e fundiu) uma ilusória vitória através do Direito, para tentar preparar-se para uma vitória no terreno da política”, afirma em trecho. O governador criticou, ainda, a atuação da mídia, por, antes mesmo da condenação, já tratar os réus como culpados, apelidados na grande imprensa de “quadrilheiros”, “mensaleiros” e “delinquentes”.

Rafael Madeira também acredita que a pressão da mídia impulsionou a resolução do Supremo Tribunal Federal (STF), porém o reflexo disso é positivo ao PT. A adesão vista nas redes apoiando o partido, recentemente, está ligada a tal pressão da mídia neste caso, em detrimento de outras acusações contra a oposição como o Mensalão Tucano. Madeira afirma ainda que é interessante ao partido a acusação feita por José Genoíno, ex-presidente do PT, de que ele seria um preso político, uma vez que como representante da cúpula do governo a condenação dele e de José Dirceu, ex-ministro chefe da Casa Civil do governo Lula, os coloca em posição de “‘mártires’, julgados em prol de uma causa maior” representada, dentro de um imaginário coletivo, o fim da corrupção. Ainda que essa posição seja assumida por Genoíno e retificada pelo governador gaúcho, o diretório nacional do partido afirma que não se posiciona desta forma sobre a questão.

Texto: Anna Fernandes (8º semestre) e Caroline Ferraz (5º semestre)

1 comentário

  • marcia
    20:52

    muito interessante

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