Pela primeira vez, negros são maioria no Enem

Em 2009, o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) deixou de ser apenas um indicador da qualidade da educação para se tornar a principal forma de acesso ao Ensino Superior no país. Nesta meia década, ficou conhecido, sofreu resistências e teve sua eficiência questionada em meio a casos de furtos e erro de impressão de provas em 2009 e 2010.

Em 2014, 8,7 milhões de pessoas se inscreveram para fazer a avaliação (mais do que a população da Áustria) que acontece no final de semana, dias 8 e 9 de novembro. Pela primeira vez na história do exame, pessoas autodeclaradas negras constituem a maioria e representam 57% dos participantes. Segundo dados divulgados pelo Ministério da Educação (MEC), 58% dos candidatos são mulheres, jovens de 21 a 30 anos, da região Sudeste e estudantes que já concluíram o Ensino Médio.

Além do ingresso nas universidades, a nota serve como critério para ter acesso aos programas do governo ProUni, Fies, Pronatec e Ciência sem Fronteiras. A novidade deste ano é aceitação pela Universidade da Beira Interior, em Covilhã, e a Universidade de Coimbra, ambas em Portugal, da nota do exame para ingresso em cursos de graduação. A prova se consolida como o segundo maior teste de conhecimentos do mundo, ficando atrás apenas do chinês Gaeko.

O exame acontece anualmente em quase 1,7 mil municípios do Brasil. A prova percorre mais de 300 mil quilômetros a cada edição. Com tamanha proporção, o Enem exige do MEC um esquema de gestão que envolve um trabalho de segurança e logística. As provas ficam sob os cuidados de batalhões do Exército brasileiro e estão lacradas até o momento da aplicação dos testes, que começa ao mesmo tempo em todo o território nacional. A Marinha e a Força Aérea Brasileira transportam as provas para 62 localidades de difícil acesso na Amazônia.

Para ter uma ideia do alcance do Enem, o Editorial J reuniu números, indicadores e estatísticas que sintetizam os cinco anos do maior exame do Brasil, entre as edições de 2009 a 2013, e comprovam a abrangência e a diversidade do sistema.

Texto: Bruna Zanatta (4º semestre)

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