Polêmica evidencia desinformação sobre obras de duplicação da Voluntários da Pátria

Ponto de tráfico de drogas e prostituição. Prédios em ruínas e lixo espalhado por todos os cantos. A rua Voluntários da Pátria é o símbolo do descaso e da degradação, algo que pode ser mudado com as obras de revitalização para a Copa do Mundo de 2014.

A obra prevê a duplicação de um trecho de 3,5 quilômetros, corredor de ônibus, canteiro central, faixa para pedestres e ciclovia. A prefeitura de Porto Alegre atualmente está empenhada em desapropriar os mais de 100 imóveis que terão de ser total ou parcialmente demolidos. A primeira etapa da obra, com extensão inferior a um quilômetro, será entre as ruas da Conceição e Ramiro Barcelos.

Um dos impasses de maior repercussão foi a desapropriação do Centro Cenotécnico do Estado, que está sob responsabilidade do Instituto Estadual de Artes Cênicas (IEACen), instituto vinculado à Secretaria de Estado da Cultura. Ao se tornar pública a necessidade de demolição de parte da instalação, há pouco tempo, o secretário de Estado da Cultura, Assis Brasil, se viu surpreendido, pois não tinha conhecimento do assunto.

Com a insurreição da classe artística, a prefeitura se obrigou a resolver o impasse o quanto antes. O acordo entre município e Estado resultou na revitalização de parte do imóvel, pois ele não será destruído por completo, e a construção de um novo galpão atrás do atual, com cinco mil metros quadrados.

Esse impasse acaba por evidenciar um problema muito maior, a falta de informação. Procurada pela redação do Editorial J, a assessoria de comunicação da Secretaria Extraordinária da Copa 2014 (Secopa) não respondeu às ligações e mensagens de correio eletrônico enviadas até a publicação desta matéria. A Equipe do Patrimônio Histórico e Cultural (EPAHC), órgão do município, diz não ter conhecimento do projeto, e se este resultará na demolição de algum dos vários prédios inventariados do local. Segundo eles, nem sempre uma secretaria tem conhecimento do que a outra está executando.

Se a desinformação impera entre os órgãos competentes pela obra, o mesmo acontece entre a população. “O que eu fiquei sabendo é que é daqui do túnel até a Ramiro. Escutei por um dos taxistas. Não sabemos nada do projeto”, declara Dario Luis da Costa Marinho, 30 anos, frentista que trabalha num dos estabelecimentos comerciais da rua. Quanto ao legado após a obra, ele é enfático: “Não sei se vai mudar. Não adianta dar moradia e não investir em cultura. As pessoas vão ter os mesmos hábitos, os mesmos vícios. Depois (da Copa), volta a vida como era antes.”

Já Celso Alexandre Aires, 44 anos, porteiro, vê com maior esperança a realização da revitalização: “Vai ser melhor, vai ter mais movimento na rua.”

O Editorial J seguirá acompanhando o desenvolvimento das obras da rua Voluntários da Pátria nas próximas semanas.

Texto: Douglas Roehrs (4º semestre)

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