População de bairros da periferia apoia luta por mudanças

“As autoridades do Brasil tratam a população como se fosse palhaço”, reclama o porteiro Arli José Santos Soares, 38 anos. O morador do bairro Rubem Berta, Zona Norte de Porto Alegre, se disse favorável aos protestos, mas sem vandalismo. “Meus amigos da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) participam, mas eu tenho medo da violência”, explica a recepcionista Juliana Freitas, 22 anos, que reside no bairro Lomba do Pinheiro.

Embora estejam de acordo com as mobilizações populares, o isolamento das regiões situadas em dois extremos de Porto Alegre faz com que poucos integrantes destas comunidades compareçam aos eventos. Ônibus velhos e em más condições, descumprimento dos horários e superlotação dos veículos de transporte coletivo nos momentos de pico são as principais reclamações da população que vive nas periferias da Capital.

Diretamente afetados pelo aumento das tarifas de ônibus que havia sido anunciado em março e reduzido em seguida, os moradores afirmam que são necessárias melhorias no setor de transportes e que os protestos são válidos em busca deste objetivo em comum. Contudo, a proposta do passe livre, em debate nos protestos, gera contrariedade. “Fica muita bagunça”, opina a auxiliar de serviços gerais Eva Selita, 39 anos. Para Kelly Rosa, 28 anos, a gratuidade do transporte faria com que o serviço prestado piorasse ainda mais, pois “pagando já não está muito bom”.

ônibus, periferia, porto alegre foto: Cassiana Martins
Na Lomba do Pinheiro, moradores reclamam do descumprimento da tabela de horários dos ônibus da região

Boa parte das pessoas afirma não utilizar o transporte público nos dia de passe livre, pois o ambiente é de desordem. “Peço pro meu marido me buscar no trabalho para não ter de pegar o ônibus lotado”, diz uma moradora que preferiu não se identificar. Outros utilizam o transporte gratuito apenas porque precisam trabalhar nesses dias, e não por lazer.

Na Lomba do Pinheiro, são mais de 20 km que distanciam a região do centro de Porto Alegre. Por isso, a maioria dos moradores necessita utilizar mais de uma linha de ônibus para chegar ao seu destino final e gasta mais de R$ 200 por mês com o transporte público. “Às vezes, espero uma hora pelo ônibus”, conta Jenifer Lopes, estudante e moradora da comunidade.

Os usuários do bairro Rubem Berta, situado a cerca de 15 km do Centro Histórico, têm semelhante reclamação. “Levo quase duas horas na parada para pegar o ônibus”, reclama Arli José Santos Soares.

No que diz respeito aos protestos, a aposentada Selma Garcia, 71 anos, dá a sugestão de “fazer uma lista de reclamações e juntar um grupinho para levar (aos governantes)”.

Textos: Marcelo Frey (2º semestre), Nathalia Pádua (3º semestre) e Douglas Roehrs (5º semestre)
Fotos: Cassiana Martins (4º semestre)

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