Portinho é referência no basquete paraolímpico gaúcho

Luiz Claudio Portinho Dias, 38 anos, é deficiente físico e joga basquete. O atleta que desde cedo conheceu o mundo dos esportes, já praticou judô, natação e futebol. Ele ficou paraplégico aos oito anos de idade, após um acidente automobilístico e, há mais de 30, ignorando sua deficiência, exerce com prazer algum tipo de atividade física. Luiz Portinho iniciou na modalidade que pratica até hoje, aos 12 anos, depois de conhecer o professor Aldo Potrich, precursor em atividades paradesportivas no Rio Grande do Sul.

presidente de associação de deficientes colabora na divulgação de outros atletas (Alexsander Santos/Divulgação RS Paradesporto)

O basquete paraolímpico é praticado por atletas de ambos os sexos que tenham alguma deficiência físico-motora. As cadeiras de rodas são adaptadas e padronizadas, e a cada dois toques nelas, os jogadores devem quicar, passar ou arremessar a bola. As dimensões da quadra e a altura da cesta são as mesmas do basquete olímpico. “Costumo afirmar que a única mudança do basquete sobre rodas para o convencional é a própria cadeira”, explica Portinho.

O jogador que trabalha como procurador federal, apesar de participar da equipe “RS Paradesporto” (www.rsparadesporto.org.br) que está entre as 20 melhores do país, não conta com patrocinador. “Toda a estrutura desportiva que utilizo é propiciada pela RS Paradesporto”, revela. Essa associação gaúcha, presidida por Luiz Portinho, congrega portadores de deficiência física e realiza trabalhos que visam favorecer e divulgar o esporte paraolímpico, bem como os direitos de quem tem deficiência. “Aumentar a visibilidade e a empatia do movimento paraolímpico junto à mídia e à sociedade em geral é um de seus objetivos”, conforme site do grupo.

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Portinho admira quem luta contra preconceituosos na sociedade (Alexsander Santos/Divulgação RS Paradesporto)

Luiz Portinho ressalta que a grande dificuldade enfrentada pelo deficiente físico é a pouca acessibilidade às praças desportivas e plantas urbanas em geral, como calçadas. A respeito dos atletas paraolímpicos, ele expõe como empecilho à prática do esporte a falta de preparo de professores e gestores para lidar com esses esportistas, faltando habilidade e vontade, para o apoio a esses grupos. “O Rio Grande do Sul, infelizmente, não tem uma política pública para o desporto paraolímpico”, desabafa.

O atleta treina diariamente nos Ginásios Tesourinha e no Complexo do Centro Estadual de Treinamento Esportivo (Cete), cujos espaços e horários de são cedidos à RS Paradesporto. Sua equipe disputa a Liga Gaúcha, os campeonatos regional e nacional, organizados pela confederação brasileira, além de outros torneios esporádicos. Portinho, que preza pela divulgação do esporte paraolímpico, segue em competições e à espera de mais apoio aos atletas.

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Texto: Karine Flores (1º sem)

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