Prefeito eleito não terá dificuldades na Câmara

Cientistas políticos avaliam que, seja Melo ou Marchezan o eleito, o novo prefeito de Porto Alegre poderá formar bancada de apoio

  • Por: Ângelo Menezes (2º sem.) | 30/10/2016 | 0
Foto: Matheus Piccini/CMPA
Foto: Matheus Piccini/CMPA

Independente de quem for o vencedor no segundo turno da eleição, o novo prefeito de Porto Alegre não deverá ter muitas dificuldades para compor uma bancada de apoio na Câmara Municipal, na avaliação de cientistas políticos consultados. A coligação “Abraçando Porto Alegre” (PMDB / PDT / PHS / PROS / PTN / PRTB / PRB / PSDC / PPS / PSB / PSD / DEM / REDE / PEN” – de Sebastião Melo – elegeu um total de 17, dos 36 vereadores no primeiro turno. Enquanto isso a coligação “Porto Alegre Pra Frente” (PP / PSDB / PMB / PTC) – de Nelson Marchezan Jr. –  elegeu apenas cinco.

Para o cientista político Luiz Eduardo Garcia, nenhum dos candidatos terá muita dificuldade em articular coalizões na Câmara de Vereadores. Ainda assim, para ele, Sebastião Melo teria mais facilidade para aprovar propostas do que Marchezan. A maior dificuldade de Marchezan seria por causa de seus próprios discursos que condenam o que o mesmo chama de “velha política”, que seria troca de cargos por interesses, etc. Sobre as coligações, Luiz Eduardo afirma que tanto PDT (partido vice de Sebastião Melo) quanto PP (partido vice de Nelson Marchezan Jr.) estariam envolvidos em qualquer que fosse o governo vencedor.

Na avaliação do cientista político Nikolay Steffens, com a eventual vitória de Melo, “os pequenos partidos de direita comporiam o governo, deixando ao PT, ao PSOL e, talvez, a vereadores isolados do PSDB e NOVO a constituição de pequenas oposições à esquerda e à direita, mas sem que isso produza maiores dificuldades para o Executivo organizar sua coalizão”. Quanto a um possível governo de Nelson Marchezan Jr., Nikolay diz que, apesar de não saber o que esperar do posicionamento do PMDB, não haverá dificuldades para composição da bancada de apoio.

Um fator importante foi o apoio de Maurício Dziedricki e toda base aliada do PTB (PSC, PR, SD, PRP e PT do B) a Marchezan. Com isso, a base aliada de coligações de Nelson Marchezan Jr. passou a ter 11 vereadores eleitos. Luiz Eduardo afirma ainda que um fator determinante para o resultado das eleições  será os votos da esquerda, que totalizaram 28,7% dos votos válidos no primeiro turno. Porém, os três candidatos considerados de esquerda (Luciana Genro, Raul Pont e Júlio Flores) declararam não apoiar nenhum dos dois candidatos do segundo turno (com exceção do PCdoB, vice da chapa de Raul Pont, que decidiu apoiar a candidatura de Sebastião Melo). Ainda segundo Luiz Eduardo, não se pode afirmar que todos que votaram nos candidatos de esquerda no primeiro turno agora votam nulo, tendo em vista que a política municipal é muito mais orgânica do que a política federal.

Pode-se levar em consideração ainda o perfil da Câmara de Vereadores eleita, que não teve muitas mudanças em termos ideológicos. Dos 36 vereadores, cerca 29 seriam de centro/centro direita, o que favorece as propostas de governo de qualquer candidato que venha a ser eleito além do que, partidos ditos “pequenos” no legislativo municipal como  REDE, PRB, PR, Solidariedade, PSB, PROS e agora o NOVO, estão muito mais expostos a articulações transversais do que nas demais esferas (estadual e federal).