Charrua Rugby enfrenta o San Diego

Rúgbi conquista atletas e torcidas no Rio Grande do Sul

  • Por: Kim Pereira (7º semestre) | Foto: Kim Pereira (7º semestre) | 21/10/2015 | 0

Charrua Rugby enfrenta o San Diego

Quando o paulista de origem nipônica Nilson Taminato se mudou para o Rio Grande do Sul, em 2000, estranhou o fato do Estado não possuir nenhum clube de rúgbi para praticar o esporte que ele jogava desde 1988. Em uma conversa com os amigos Felipe Becker e Mauro Croitor no litoral gaúcho, Taminato começou a idealizar o primeiro clube desta modalidade no estado. Hoje há cerca de 42 polos de rúgbi espalhados pelo estado, entre clubes e núcleos de desenvolvimento. Atualmente, são cerca de 120 polos atuando no país.

Taminato, Becker e Croitor entraram em contato com a Associação Brasileira de Rugby para criar o primeiro clube do Rio Grande do Sul. Para a escolha do nome, a ideia era buscar uma referência na história do estado, mas sem perder o espírito democrático do esporte. Com esse espírito, a escolha recaiu no nome Charrua Rugby Clube. “A gente sabe que uma das principais características do rúgbi é essa coisa de guerreiro movido de paixão pelo esporte, então não podia ser um nome qualquer”, relembra Felipe.

Seguindo a tendência democrática, as cores escolhidas para o clube –- azul e vermelho — foram uma homenagem aos dois maiores clubes de futebol do estado: Grêmio e Internacional. “Não Tá Morto Quem Peleia” (ou NTMQP, abreviado) foi o grito de guerra escolhido para o Charrua, bradado ao final de cada treino e ao início e término das partidas. Fundado em junho de 2001, o Charrua Rugby Clube é o mais antigo time de rúgbi do Rio Grande do Sul.

Amadora, a equipe se sustenta com as mensalidades dos 120 associados e com receitas oriundas da venda de produtos licenciados e de eventos. “Somos autossuficientes, 100% da mão de obra é voluntária. Não existe nenhum profissional remunerado no Charrua”, explica o atual presidente, Rodrigo dos Reis. Apesar disso, não faz feio em campo. O time feminino adulto, por exemplo, é o atual campeão brasileiro e há três meninas convocadas para a seleção brasileira.

O rúgbi é um esporte coletivo de intenso contato físico jogado com as mãos e pés, utilizando uma bola oval. O objetivo principal do jogo é cruzar a linha de fundo do campo adversário e encostar a bola no chão, realizando o try, equivalente ao gol do futebol.

Ao longo do tempo, surgiram as seguintes variações do esporte:

· rúgbi Union (15 jogadores em cada time) é a mais praticada.
· rúgbi League (com 13 atletas) também muito praticada.
· Sevens (sete atletas) que é a modalidade que será disputada nos jogos olímpicos de 2016, sediados no Rio de Janeiro. O esporte não faz parte de uma Olimpíada há 92 anos.
· Além dessas variações, ainda há o rúgbi de praia, de toque, em cadeira de rodas e o subaquático.

O atual capitão do time masculino, Igor Gomes, sustenta que “o rúgbi é um esporte de valores morais muito rígidos, com hierarquia, espírito de equipe, respeito, integridade, lealdade. Se a filosofia é rigorosa, o mesmo princípio não é adotado para selecionar atletas segundo seu tipo físico. Isso porque um dos princípios do Charrua é que o rúgbi é para todos e que o time pode se adaptar a cada biotipo.

Futebol X Rúgbi

Ao contrário do futebol, no rúgbi quem mais ataca são os jogadores de trás, ou backs. A linha de frente – forwards – é composta pelos jogadores mais fortes e pesados, que têm a tarefa de impedir o progresso do ataque adversário. Aqueles mais leves e velozes cumprem a tarefa de fazer avanços mais agudos, tentando cruzar a linha de fundo do campo adversário. Todas as equipes do Charrua possuem treinador, preparador físico e manager, que auxilia o técnico nas viagens e partidas.

Na equipe adulta masculina, o destaque é o atleta Gabriel Bolzan, revelado pelo clube e que hoje treina para representar o país nas Olimpíadas 2016, no Rio de Janeiro. Além das equipes principais feminina e masculina, há categorias de base. No feminino, apenas a juvenil, mas para o time masculino é possível ingressar como jogador do infantil, juvenil e da categoria formativa, que é para adultos iniciantes.

Hoje, o rúgbi é o segundo esporte de equipes mais popular no mundo, segundo a Federação Brasileira de rúgbi, só sendo superado pelo futebol. Disputado em mais de cem países, é extremamente popular no Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, sendo essas as grandes forças do esporte. É também bastante popular na França, Itália, Uruguai e Argentina.

No cenário mundial, o Brasil ainda está longe de disputar títulos importantes. As principais equipes são de Fiji, Nova Zelândia, África do Sul e Inglaterra, países onde o esporte é profissional e tem mais popularidade. “Na África do Sul, o rúgbi é que nem o futebol aqui no Brasil: no aeroporto tem a foto dos caras em alguma propaganda”, observa o atleta Gabriel Bolzan com uma pontinha de inveja.

O Charrua conta com quatro atletas na seleção brasileira: Juliana Menezes e Gabriel Bolzan, que moram em Porto Alegre e se deslocam para São Paulo para treinar com a seleção e Raquel Kochmann e Luiza Campos, que ocupam uma das residência para atletas da seleção brasileira de rúgbi, em São José dos Campos.

Rúgbi também é esporte de mulher

Quem acha que os esportes de contato físico intenso são coisa para homem constata o equívoco assim que bota os pés no campo de futebol do estádio Ramiro Souto, no Parque da Redenção, em Porto Alegre, nas terças e quintas, a partir das 22: 00. No mesmo horário de treino, dividem o campo a equipe masculina e a equipe feminina do Charrua.

Desde 2004, o Charrua conta com um time feminino. A procura é menor do que no time masculino, por isso, elas jogam em uma formação de sete atletas – e não de 15, como os rapazes. 
“No Sevens não temos as segundas e terceiras linhas que há no Union. Todo mundo faz tudo, limpa e joga, não temos posições tão definidas e é bem mais correria”, compara Juliana Menezes, que começou a praticar o esporte em 2007 e foi a capitã do time feminino até o ano passado.

Com Juliana no comando da equipe, as meninas do Charrua foram campeãs brasileiras, título que ainda conservam, porque as competições de rúgbi sevens se concentram no segundo semestre do ano. 
As brasileiras, dez vezes campeãs sul-americanas, participaram dos Jogos Pan-Americanos 2015, em Toronto, no Canadá, e comemoraram a primeira medalha na modalidade, um bronze.