A acácia-negra é um dos principais cultivos silvícolas no Rio Grande do Sul

Setor agrosilvopastoril gera renda, mas enfrenta desafios no Rio Grande do Sul

  • Por: Bethânia Helder (7º semestre) | Foto: Kim Starr | 24/06/2015 | 0
A acácia-negra é um dos principais cultivos silvícolas no Rio Grande do Sul
A acácia-negra é um dos principais cultivos silvícolas no Rio Grande do Sul

A produção agrosilvopastoril é a integração entre agricultura, pecuária e silvicultura. De acordo com o engenheiro agrônomo da Câmara Setorial das Florestas Plantadas da Secretaria Estadual da Agricultura e Pecuária, Fabricio Ribeiro Azolin, os sistemas tradicionais de produção agrícola, pecuária e florestal se originaram dos desmatamentos, da atuação do homem sobre ambientes naturais e dos monocultivos. “Já os sistemas agrossilvipastoris contam com a introdução de árvores exóticas ou nativas e diversificação de cultivos, mas precisam de incentivos governamentais”, explica Azolin.

O Rio Grande do Sul oferece um cenário favorável para a produção integrada. Azolin destaca que existe a necessidade de diversificar a renda do produtor gaúcho, visando a diminuição de custos com insumos e aumentando a produtividade. “Temos aqui no estado também um forte potencial para a instalação das cadeias produtivas e indústrias consumidoras, isso incentiva a geração de trabalho e renda dentro e fora da propriedade rural”, diz.

De acordo com a engenheira florestal Margô Guadalupe, assessora técnica da Associação Gaúcha de Empresas Florestais (Ageflor), a contribuição da indústria de base florestal para o Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul chega a 4%. Em São Paulo, Santa Catarina, Paraná, Bahia e Mato Grosso do Sul, onde também há intensa atividade florestal, a participação da atividade no PIB estadual é de apenas 2%. “A atividade florestal reflete de forma positiva na geração e manutenção de postos de trabalho no campo e na indústria. O número de empregos mantidos pelo setor chega a 210 mil, além das empresas manterem 525 mil hectares de áreas protegidas — ou seja, 25% do território do Rio Grande do Sul é protegido pelo setor de base floresta”, destaca.

O sistema de integração de culturas e pecuária traz benefícios como a redução da erosão, com maior infiltração de água no solo, maior captura e fixação do carbono, neutralização de emissões, diminuição do uso de insumos, melhoria do conforto térmico para os animais, devido ao fato de as árvores formarem uma barreira para o vento — o que aumenta também a taxa de natalidade e de ganho de peso animal. A diversificação favorece ainda a recuperação de áreas degradadas e possibilita a produção de produtos florestais com menor impacto, como mel, por exemplo.

Dentre as principais dificuldades para ampliar a atividade agrosilvopastoril no Estado estão os entraves com o licenciamento ambiental. A silvicultura no Rio Grande do Sul é passível de licenciamento ambiental conforme Portaria da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM) nº 51/2014 e está sujeita às restrições do Zoneamento Ambiental da Silvicultura (ZAS-RS). Entretanto, Azolin explica que as poucas áreas implantadas de sistemas agrosilvopastoris não estão em situação regular.

“A falta de monitoramento por parte do Estado do avanço regular dos sistemas de produção por um problema de gestão dificulta o apoio e o fomento desses sistemas, assim como o desenvolvimento da pesquisa científica local”, destaca o engenheiro agrônomo. A falta de conhecimento por parte dos proprietários dos imóveis rurais, assim como a carência de políticas públicas e incentivos, também são dificuldades elencadas por Azolin.

O Programa Pró-Produtividade Agrícola (PPPA), administrado pela Secretaria Estadual da Agricultura e Pecuária, foi criado em 1992 e visa apoiar, através de incentivo fiscal, projetos do setor agropecuário para aumentar e modernizar a produção primária. Azolin afirma que as perspectivas quanto ao aumento da adoção dos sistemas agrosilvopastoris são favoráveis, principalmente no caso dos sistemas que incluam espécies para produção de madeira: “Apesar do interesse pela integração de agricultura e pecuária com cultivo de árvores tenha crescido nos últimos anos, o nível de adoção das tecnologias geradas é muito baixo. Ainda dependemos de esforços da pesquisa, de divulgação dos resultados positivos e políticas de incentivos governamentais”, completa.

Confira abaixo alguns números da produção agrosilvopastoril no estado: