Empresas aderem à sustentabilidade

Na década de 90, o conceito de sustentabilidade chegou às salas de reuniões das empresas. Na época, muito mais como uma discussão do que como prática. Hoje em dia, a situação mudou, e as instituições começaram a se preocupar com a questão, fazendo com que gestores priorizem o pensamento verde, seja a curto, médio ou longo prazo. E nesse âmbito, incluem-se empresas dos mais diversos ramos.

Pesquisa realizada em 2010 pela Câmara Americana de Comércio (Amcham) com 76 empresas associadas concluiu que 37% delas incorporam praticas sustentáveis em seu cotidiano. Em 2008 esse índice era de 25%. O levantamento apontou ainda que 87% destas empresas consideram que inserir a sustentabilidade na gestão traz resultados positivos para a imagem da companhia e agrega valor a produtos e serviços.

Segundo a assessora do Instituto do Meio Ambiente da Pucrs, Letícia Hotte, a preocupação em possuir uma empresa com valores sustentáveis cresceu fortemente após a efetivação do Protocolo de Kyoto, em 2005. Ela afirma que “o desenvolvimento sustentável engloba três fatores: o ambiental, o econômico e o social”. E estes fatores tendem a caminhar sempre juntos, favorecendo o meio ambiente, os lucros e a sociedade.

Um dos projetos que vem ganhando destaque nas empresas que realizam atividades em prol do meio ambiente é a neutralização de carbono. O Carbon Free, como também é chamado, é uma ação que neutraliza a emissão de gás carbônico através do plantio de arvores. Já existem empresas especializadas nesta atividade, como é o caso do Banco da Árvore.

Antes de realizar o plantio, a consultora ambiental produz um relatório de emissões de carbono a partir de diversos dados da empresa, como o consumo de energia elétrica, combustíveis, produção de lixo e consumo de materiais. Este relatório é elaborado com base nas regras do Protocolo GHG (Green House Gases), um conjunto de normas e ferramentas para medir as emissões de carbono. Esses parâmetros são os mesmos utilizados no desenvolvimento de projetos previstos no Protocolo de Kyoto. A partir do cálculo realizado é possível saber qual foi a emissão de gases poluentes gerados na instituição e quantas árvores precisam ser plantadas para realizar a neutralização.

Empresas em prol do meio ambiente

A Florense foi pioneira entre as fábricas de móveis da América Latina na conquista do certificado de gestão ambiental ISO 14.001. O selo é suficiente para a maior parte das empresas demonstrar o comprometimento com práticas sustentáveis. Trata-se de uma norma com diretrizes básicas para o desenvolvimento de um sistema de gestão ambiental, que provam o compromisso da empresa com a preservação da natureza. Isso inclui desde a extração das matérias-primas até a destinação final dos resíduos industriais, passando por todas as etapas dos processos produtivos e logísticos. Contudo, a preocupação com o meio ambiente vai além.

De acordo com a relações públicas da Florense Cláudia Biacio, há três anos surgiu a ideia de criar um veículo de comunicação sustentável. “Depois de pesquisar diferentes formas para tornar isso possível, ficou decidido que o material usado para a fabricação seria reposto ao meio ambiente”, afirma.

Em 13 edições publicadas da revista Carbon Free, 2.959 árvores foram plantadas, contabilizando um total de 454,94 toneladas de CO2. As cidades beneficiadas pelo projeto foram Ivorá, no Rio Grande do Sul, Formosa do Oeste, no Paraná, Palotina, no Paraná, São Carlos e Sumaré, em São Paulo e São Tomás de Aquino, em Minas Gerais. A revista tem como objetivo contribuir para a melhoria da eficiência ambiental de processos e produtos, com redução do consumo, reutilização de materiais, reciclagem de rejeitos e compensação das emissões de CO2.

Além de empresas como a Florense, que fazem um projeto específico com a neutralização de carbono, também existem instituições que desenvolvem um sistema para zerar os gases que são produzidos diariamente em suas atividades. Um exemplo é a Fazenda Quinta da Estância Grande, de Viamão. Desde 2007, a instituição recebeu o selo de 1ª Fazenda de Turismo Rural Carbon Free do Brasil. Mesmo com todos os cuidados relativos à preservação da natureza, durante um ano de atividades na Quinta da Estância são emitidos em média cerca de 220 toneladas de carbono equivalente (neste cálculo é quantificado não só o CO2 mas também os diferentes gases considerados que causam o efeito estufa).

cata-vento, quinta da estância, sítio, sustentabilidade, caminhadas ecológicas (Foto) Divulgação Quinta da Estância Grande
Quinta da Estância é uma fazenda de turismo rural neutra em carbono

A neutralização é feita com o plantio de árvores na própria fazenda, formando trilhas ecológicas. “Além do benefício da absorção de carbono, o planejamento de plantio destas árvores é realizado para propiciar a criação de corredores ecológicos para que a fauna local possa realizar migrações em segurança”, explica o diretor de relacionamento com o mercado Rafael Goelzer. Outro cuidado que a Fazenda tem é de saber de onde provêm as mudas, evitando assim o plantio de árvores oriundas de hortos florestais que utilizem práticas predatórias.

Uma curiosidade importante sobre a neutralização de carbono é que o cálculo é feito a partir da espécie que será plantada, cada uma possui um nível de absorção diferenciado. Na Quinta da Estância o sistema de neutralização é feito com uma margem de 50% a mais do que a soma dos gases produzidos anualmente: “Na média absorvemos 50% a mais de CO2 equivalente do que emitimos, nos trazendo um superávit ambiental positivo não apenas para o meio ambiente, mas para toda a sociedade”, avalia Goelzer.

Protocolo de Kyoto

O Protocolo de Kyoto é um instrumento internacional, ratificado em 15 de março de 1998, que visa reduzir as emissões de gases poluentes. Estes são responsáveis pelo efeito estufa e o aquecimento global. O Protocolo entrou oficialmente em vigor no dia 16 de fevereiro de 2005, após ter sido discutido e negociado em 1997, na cidade de Kyoto (Japão).

No documento, há um cronograma em que os países são obrigados a reduzir em 5,2%, a emissão de gases poluentes entre os anos de 2008 e 2012 (primeira fase do acordo). Os especialistas em clima e meio ambiente esperam que o sucesso do Protocolo de Kyoto possa diminuir a temperatura global entre 1,5 e 5,8º C até o final do século XXI.

Texto: Juliana Vencato (6º semestre) e Mariana Soares (6º semestre)
Fotos: Divulgação Quinta da Estância Grande

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