Tecnologia auxilia crianças com deficiência

O desenvolvimento cognitivo e motor de crianças com necessidades especiais acelera com o uso de software e sensores

  • Por: Camila Pereira (1º semestre) | Foto: Valentina Rodrigues (1º semestre) e Nadia Probst (1º semestre) | 02/10/2017 | 0
Os fantoches ajudam na integração e no aprendizado de crianças autistas
Os fantoches ajudam na integração e no aprendizado de crianças autistas

Com o uso de software e a introdução de sensores eletrônicos em um brinquedo clássico, Roceli Lima, estudante do último período do Programa de Pós-Graduação em Informática na Educação, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), desenvolveu, juntamente com Guilherme Linck, estudante de graduação em Engenharia de Controle e Automação, fantoches que auxiliam na integração e no aprendizado de crianças autistas. O projeto ainda está em fase de testes, porém, segundo Roceli, já apresenta resultados positivos, demonstrados a partir da experimentação aplicada em um aluno autista da Escola Municipal de Ensino Fundamental Gilberto Jorge, localizada no bairro Morro Alto, em Porto Alegre.

Para contar as histórias, animações são geradas em uma tela a partir de sensores introduzidos nos fantoches e que interagem com outros sensores em objetos reais, manuseados pelas crianças ou por professores durante a apresentação de histórias lúdicas.

 

O doutorando  Roceli Lima conta que a ideia do projeto surgiu por meio de pesquisas em artigos que indicavam que o uso da tecnologia na educação desperta o interesse da criança autista, pela utilização de luzes, sons e movimentos. Ele destaca que já havia um projeto dentro da mesma universidade, relacionado a contação de histórias para crianças com autismo. Com a união dessas ideias surgiu, então, o desenvolvimento de dispositivos que inicialmente foram pensados como um “cérebro” para os fantoches. O projeto de Roceli conta também com o auxílio de estudantes das áreas de Engenharia, Computação e Educação, que ajudam no aprimoramento pedagógico e funcional do brinquedo.

Roceli Lima demonstra como funciona o sistema que ele desenvolveu.
Roceli Lima demonstra como funciona o sistema que ele desenvolveu

Segundo o pesquisador, há intenção de expandir a utilização dos fantoches, englobando outras necessidades especiais, como a cegueira, por meios táteis e auditivos, promovendo cada vez mais interação efetiva das crianças com necessidades especiais nas atividades pedagógicas. “A gente acredita que alcançando ela (a criança com deficiência), nós atingimos todas as outras crianças, diferentemente de quando algum pesquisador quer direcionar pesquisas só as crianças que não tem deficiência e acaba isolando a criança que tem”, destaca. Roceli ainda conta que a pesquisa passou a ser financiado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES) e que o intuito é disponibilizar um “kit fantoche eletrônico” para escolas de todo país, através de editais. O custo total para a elaboração de um kit, contendo o fantoche com os dispositivos eletrônicos e os sensores que podem ser aplicados em diferentes objetos, segundo o doutorando, é de R$ 120, mas a meta é diminuir o custo para R$ 90.

 

TECNOLOGIA AUXILIA EM DEFICIÊNCIAS MOTORAS

O uso de meios tecnológicos para auxiliar no desenvolvimento de crianças com deficiências está presente também na Associação de Assistência à Criança Deficiente (AACD). A pedagoga Deise Sabino conta que tablets e computadores  são utilizados como ferramentas para estimular e acessar áreas do cérebro, de formas mais lúdicas. Segundo ela “a tecnologia, de uma certa forma, como ela é mais ampla, mais vasta, a gente consegue acessar algumas áreas do cérebro da crianças, mas não quer dizer que a tecnologia seja a chave mestra ou que, só através dela, vamos conseguir, talvez não. Porém, em muitos casos, ela está ajudando bastante. Ela está ajudando aqueles que não conseguiam, que estavam com alguma dificuldade, porque muitas vezes a dificuldade não é de compreensão, mas na questão motora”. A pedagoga ressalta que os jogos pedagógicos digitais são mais convidativos, mas que as crianças atendidas pela AACD não deixam de lado as brincadeiras manuais, “tudo que é oferecido com motivação, com alegria, eles vão. Se eu pegar um jogo de dentro da caixa, eles vão jogar. Se oferecer o tablet, eles também vão gostar. Por isso que eu digo, o computador não é um excesso, ele só é uma peça para auxiliar”, ressalta.

O principal obstáculo, para Deise, ainda é a falta de informação e de inserção da tecnologia nas escolas, como forma de acessibilidade. Ela destaca que o desenvolvimento de aplicativos não tem tanto investimento na parte educacional e que é necessário fazer diversas pesquisas para encontrar os aplicativos apropriados para cada necessidade, e muitos ainda são pagos.