Terceirizados ganham 25% menos e trabalham mais, revela pesquisa da CUT

Dados reforçam crítica da Central Única dos Trabalhadores à lei das terceirizações.

  • Por: Francelle Machado (7º semestre) | 11/05/2015 | 0

Os empregados terceirizados recebem salário 25% menor e trabalham três horas a mais do que os contratados diretamente pelas empresas. Levantamento realizado em 2014 pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) constatou a disparidade que é um dado a mais nas críticas ao PL 4330, aprovado em abril pela Câmara dos Deputados e que aguarda a avaliação do Senado. Entre as possíveis consequências da aprovação da PL que permite a terceirização inclusive das atividades fins das empresas, são apontadas a desvalorização salarial dos profissionais e até mesmo o retrocesso nos direitos trabalhistas.

Entre as maiores preocupações da CUT, organização que congrega sindicatos de trabalhadores de todo o país, está a perda de força na representação dos empregados, frente às reivindicações da classe. Para Antônio Guntzel, secretário das relações de trabalho da CUT, a terceirização, caso aprovada, ocasionará um desmembramento prejudicial aos sindicatos. “Quanto mais sindicatos nós criarmos no país, mais fragilizados os trabalhadores serão, porque enquanto a gente deveria caminhar para uma questão de campanhas salariais a nível nacional, haverá um sindicato aqui, outro ali, mas sem poder de negociação e sem a capacidade de poder avançar nas conquistas”, argumenta.

Guntzel alerta ainda para um possível aumento na ocorrência de acidentes de trabalho, e a consequente dificuldade de responsabilização das empresas. A preocupação do secretário das relações de trabalho é reiterada pelo advogado sindicalista Marcelo Garcia da Cunha. Ele explica que fatores como discriminação, baixos salários e o menor tempo de permanência nos empregos, “implicam diretamente em uma maior vulnerabilidade [do empregado] nas relações de trabalho, e isso necessariamente também afeta a segurança e o sistema de saúde, que ficam mais precários”.

O advogado sindicalista acrescenta que, com a aprovação do projeto de lei, não apenas os trabalhadores sentirão as consequências. Até mesmo a qualidade dos serviços prestados pelas empresas sofrerá prejuízos. Cunha completa que “não se trata apenas de um aspecto trabalhista que é o fundamental da discussão, mas também todo um resultado ruim para a sociedade”.

Enquanto aguarda a decisão do Senado sobre o PL 4330, o secretário das relações de trabalho da CUT, Antônio Guntzel, comenta que este é um problema sério para país, por isso ele espera que os senadores tenham sensibilidade e vejam que essa mudança “não serve para desenvolver o Brasil”.