ONG Cabelegria produz perucas para crianças submetidas a quimioterapia

Cabelo é proteção. Calor. Estética. Mas pode significar, também, alegria. Pelo menos é assim quando o assunto é a Cabelegria, organização não-governamental paulista responsável por uma rede de solidariedade que ultrapassa os limites do Estado para chegas nas cabeças de inúmeras crianças que perderam os fios em decorrência de tratamento quimioterápico.

O projeto funciona assim: através do seu site, a ONG recebe pedidos de crianças. A instituição então centraliza os apelos, confecciona perucas e faz as doações, enviando cabelos novos para pequenos de todo o país.

Ao conhecer o projeto, a estudante gaúcha Paula Rodrigues, 25 anos, resolveu não apenas ajudar, mas tornar seu apoio mais significativo. Para tanto, convenceu as colegas da Associação Desportiva Feminina (ADF), grupo do qual faz parte, a realizarem um evento para arrecadação de mechas de cabelo. As madeixas obtidas foram doadas à Cabelegria, e em breve se transformarão em lindos penteados – e muitos sorrisos.

“Eu queria cortar para doar, cortei quase 40 centímetros. Mas antes de fazer isso procurei ajuda das meninas para que tivéssemos um resultado maior que esse”, conta Paula.

De acordo com Caroline Conter, vice-presidente da ADF, ações beneficentes já são realizadas por elas em datas comemorativas, como Páscoa e Natal: “Pensamos que, sendo mais de 1.000 integrantes na Associação, seria uma maneira de conseguir mais pessoas dispostas a ajudar. Essas ações beneficentes não são novidade para nós, mas desse tipo foi um desafio, em uma semana conseguimos organizar tudo”.

Provavelmente os sorrisos que estampavam os rostos depois do corte serão enviados junto para as crianças que receberem as perucas, uma vez que a autoestima dessas crianças aumenta ao vesti-las. De acordo com a psicóloga Mariana Donadel, é importante que a autoestima seja mantida durante o tratamento:” O ideal é que os pais enxerguem possibilidades de animar essas crianças, fazendo com que, na medida do possível, elas levem uma vida normal. No caso das meninas, quase todas brincam de salão de beleza e outras atividades relacionadas ao visual. Ter a peruca nessa situação ajuda muito, faz com que elas brinquem normalmente com as amigas. O fato de a criança ter vontade de brincar faz ela ser mais saudável psicologicamente falando”.

Além do local para a realização do evento, o grupo organizador conseguiu reunir sete cabeleireiros que trabalharam voluntariamente. Esses profissionais foram incessantes, cortando as madeixas dos homens, mulheres e crianças que lotaram o Catalise Coworking durante todo o domingo, dia 20 de abril.

Entre as pessoas que foram cortar no evento e as que foram apenas entregar as madeixas, no total foram arrecadadas 325 mechas. Além de todo contentamento, a doação resultará em 40 perucas e ou apliques.

A ação mobilizou até crianças

As meninas Manuela Weisheimer, 5 anos, e Amanda Soares, 7 anos, assistiram ao vídeo da menina canadense Emily James, de 3 anos que resolveu cortar o cabelo para doar, e pediram para as mães para repetir o gesto.

Emily’s Hair from FlyPress Films on Vimeo.

“Ela tem 5 anos e normalmente as crianças nesta idade dão show para cortar os cabelos mesmo com os seus cabelereiros de costume. Quando elas nos falaram, eu mostrei para elas que uma amiga minha cortou e elas pediram ainda mais para ir doar”, conta Alessandra Waisheimer, mãe de Manuela.

A autônoma Evanir Pimenta ficou sabendo do evento pelo Facebook e foi colaborar: “Eu já estava querendo há algum tempo cortar e enviar para São Paulo, daí encontrei o evento no Facebook e resolvi aproveitar. Penso em cortar no mínimo 25 centímetros”.

A arquiteta Flávia Maoli, 26 anos, criadora do blog Além do Cabelo, que traz dicas de beleza para quem está em tratamento quimioterápico e não retrata os dramas da doença nos textos, conta que os fios podem ser doados a partir de 10 centímetros, já que os apliques são feitos com prendedores, para serem usados por quem já tem um pouco de cabelo, ou em meias de nylon, para serem usados como uma touca.

Passei a tesoura também (depoimento da repórter)

Para mim sempre foi difícil ver a realidade das crianças que sofrem com o câncer. Tive um amigo que foi vítima da doença dos 14 aos 16 anos, quando acabou falecendo. Mas às vezes as dificuldades nos motivam a agir, e foi lembrando desse amigo, o Fred, que minha decisão se consolidou.

Lembro de uma visita que fiz a ele no hospital. Ao ver um fio de cabelo no lençol, ele disse: “Mais um cabelo que se vai”.

Como a solidariedade é algo contagiante, quando li sobre o evento, resolvi fazer a reportagem – e também passar a tesoura, se tivesse coragem. Contei essa história para uma amiga, a Samantha Kroeff Canarim, quando estávamos esperando para cortar os cabelos, e ela, como amiga dele também se emocionou e sentou muito mais motivada na cadeira da cabelereira. “Foi uma experiência e tanto participar do evento, fico feliz em pensar que o meu cabelo pode ajudar a recuperar a autoestima de crianças em tratamento. Voltarei a participar!” afirma Samantha.

Serviço:

Quem quiser ajudar, um novo evento já está marcado, dia 8 de junho na Catalise Coworking.

Texto e Fotos: Elisa Celia (8º semestre)

6 comentários

  • Verá Jany
    23:49

    Se tivesse o meu longo, com certeza seria doadora, mas vou tentar conseguir adeptos.

  • fatima messa
    10:20

    Pessoas especiais, fazem um mundo bem melhor para todos.
    ‘ cada vez que eu dou um passo o mundo sai do lugar’ fragmentos de um maracatu
    PARABÉNS ♡♡♡♡♡☆☆☆☆☆☆

  • silvia
    14:14

    oi,eu fiz uma doação, e gostaria de saber se chegou até o cabelegria

  • Gostaria de saber como é que faço, para mandar um cabelo, que a minha sobrinha cortou especialmente para as crianças com câncer.

  • Minha filha de 13 anos gostaria de estar doando mechas de seu cabelo como faço ??

    Obrigado

  • […] primeiro evento para a arrecadação de mechas teve tanto sucesso que acabou se transformando em uma corrente. Diversos salões firmaram uma […]

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