Uma vida exposta em 180 rádios

Daltro D’Arisbo formou-se em Direito e Engenharia Civil na Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Mas isso pouco tem a ver com o que faz agora. Aposentado desde o inicio do ano, ele tem tempo de sobra para se dedicar a coleção de 180 rádios que cresceu a ponto de não caber mais num lugar só.

Na casa onde mora ficam “apenas” 24 aparelhos, os outros estão em um apartamento que serve exclusivamente para guardá-los. Daltro explica: “Comprei um imóvel para deixar de herança para os meus filhos, mas antes perguntei se poderia pegar emprestado por 20 anos”. A resposta dos filhos foi positiva, e o resultado é um museu particular que está de portas abertas para receber qualquer pessoa que tenha interesse em conhecer algumas das preciosidades dispostas em suas prateleiras (as visitas devem ser agendadas).

Uma particularidade da coleção é que todos os rádios – sem exceção – funcionam. Daltro afirma que não vê nenhum sentido em ter um aparelho sem som. Para que isso aconteça, não mede esforços: importa peças, pesquisa na internet como é máquina por dentro e – por fim – ele mesmo conserta todos os aparelhos que chegam, estando em ótimo ou péssimo estado.A coleção está em vias de ser reconhecida pelo Ministério da Cultura, e já ficou famosa no mundo todo através do site (www.museudoradio.com). Até mesmo um aficionado por antiguidades teve que dar o braço a torcer – a coleção existe desde 1989, mas Daltro afirma que o que ampliou seus horizontes foi a internet. “Foi aí que descobri o que eram todas as peças que eu tinha. Agora também consigo acessar coleções de museus ao redor e mundo e fiz contato com outros colecionadores particulares, que inclusive se tornaram  amigos”.

O talento que foi descoberto por acaso virou um hobby, que agora virou um projeto de vida. Enquanto mostra orgulhoso a “oficina” montada dentro de casa, decreta: “Os psicólogos iam morrer de fome se dependessem de mim. Isso aqui é minha terapia”.

Veja uma entrevista com Daltro D’Arisbo:


Texto, fotos e vídeo: Gabrielle Toldo e Ingrid Flores

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