Vítimas do estresse pós-traumático temem repetição de situação apavorante

Presenciar ou ser a vítima de assalto, estupro, ou ainda de acidente de carro são eventos desagradáveis que, geralmente, causam prejuízos emocionais. Entretanto, para algumas pessoas, mais que uma lembrança ruim, estas situações provocam trauma.

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O transtorno de estresse pós-traumático acontece quando determinada situação causa um forte sentimento de estresse e pavor. Quem sofre com isso tem receio que o fato aconteça novamente. B.V., pessoa que não quer revelar o nome, aos 17 anos, conta como o assédio de um professor 42 anos mais velho a tornou vítima de estresse pós-traumático.

A adolescente viva uma das etapas mais importantes da vida. Entrara na faculdade como queria, e uma nova fase começava se não fosse o professor de 59 anos. “Desde o primeiro dia de aula percebi que ele me olhava de um modo diferente, e não demorou muito para ele se insinuar para mim”, relembra a garota. “Ele dizia que tinha carro e empresa, na qual eu teria o cargo que quisesse se ficasse com ele.”

A estudante tentou evitar as investidas. “Sentei no fundo da sala, mas não adiantou, ele se debruçava por cima das classes e cochichava no meu ouvido que eu era linda, mas muito brabinha, que evitava ele por medo e vergonha.” Os amigos, preocupados, aconselharam que ela desse um fim àquela situação. “No final da aula, fui falar com ele, disse que tinha 17 anos e não estava interessada nas coisas que ele me ofereceu. Apavorado, disse não saber da minha idade e que se eu ficasse quieta, minha nota não mudaria”, indigna-se a jovem.

Ela conta como se sentiu no início. “Eu só chorava, não queria mais ir à aula. Acabei com um namoro de três anos e não consigo mais me relacionar. Não confio em homens e são poucos amigos com quem eu ainda falo”, relata. As repetidas situações de assédio a perturbaram, gerando estresse pós-traumático. Para virar esta página, ela faz tratamento psicológico três vezes por semana, além de viver na dependência de remédios para controlar a ansiedade e a depressão.

A psicóloga Sabrina Caldeira explica o que pensam pessoas que sofrem com o transtorno. “No estresse pós-traumático, o indivíduo sente um profundo sofrimento ao lembrar, sonhar, falar do fato. Contudo o medo é incontrolável e irracional. As sensações podem até chegar a ser fisiológicas”, esclarece. Explica que o estresse é totalmente subjetivo: “Muitas pessoas podem passar por alguma situação de assalto, agressão, estupro, entre outras e não necessariamente desenvolver estresse. O que define se aquela situação vai gerar um trauma não é o ocorrido, mas a estrutura emocional do indivíduo.”

Assim como acontece com os outros transtornos de ansiedade, o estresse não pode ser totalmente superado, apenas controlado. “Se alguém sofreu um acidente de carro, por exemplo, a pessoa até pode conseguir dirigir novamente, mas sempre que se sentar ao volante ficará apreensiva, pois a colisão ficou registrada na memória”, explica a psicóloga.

Texto: Bruna Essig (7º sem)

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