“A democracia na Líbia ainda é um ponto de interrogação”

Imagens do que supostamente seria o corpo do ex-líder da Líbia, Muammar Kadafi, foram exibidas no canal de TV do Catar Al Jazeera hoje e já rodaram o mundo. Desde fevereiro de 2011, o país enfrenta uma onda de protestos que evoluiu para uma guerra civil. Inspirados por revoltas na Tunísia e no Egito, rebeldes levantaram-se contra o regime violento de Kadafi, em vigor desde 1969, e, após sete meses de conflito, tomaram o controle do país.

Para o professor da Faculdade de Comunicação Social (Famecos) da PUCRS Jacques Wainberg, a morte do ditador não coloca um ponto final no conflito. “Não é certo que a guerra termine. Kadafi tem uma representação tribal muito forte, é preciso examinar como seus companheiros vão reagir a sua morte”, explica o professor, que é graduado em História. “É possível que o conflito se prolongue ainda por muito tempo, através de guerrilha ou mesmo de terrorismo político. A situação da Líbia sempre foi incerta devido à falta de identificação institucional do país, onde as relações tribais permanecem fortes”, pontua.

Não só a possibilidade de retalhamento por parte dos aliados de Kadafi ameaça a democracia na Líbia: “Mesmo com os rebeldes no poder, é impossível dizer se haverá a instalação de um processo democrático”, Wainberg afirma. “As revoltas árabes ainda não amadureceram nesse sentido. Essa cultura democrática ainda deve penetrar no imaginário do povo”. Nada é certo a respeito do conflito que depôs o mais longo governo árabe e vitimou mais de 20 mil pessoas. “Há até a possibilidade da criação de um regime ainda pior do que o anterior”, Jacques Wainberg alerta.

Confira o vídeo da suposta morte de Kadafi veiculado no canal de TV Al Jazeera:

(O vídeo contém imagens de violência.)

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Texto: Natália Otto