Avenida Independência, da cultura ao comércio

Por André Pasquali

A Avenida Independência é uma das mais importantes vias de Porto Alegre. Foi construída na segunda metade do século 18 com o objetivo de ligar a Capital e a Aldeia dos Anjos, hoje Gravataí. A elite porto-alegrense ocupou a avenida especialmente por ela estar localizada em um dos pontos mais altos da cidade. Ao longo dos anos, o local acabou perdendo sua condição estritamente residencial para se tornar mais comercial.

Devido à sua antiga origem, a Independência mantém em sua extensão diversos prédios históricos. Vários abrigaram cinemas, teatros e casas de espetáculo. Essa tendência era um dos motivos que atraía as elites para a região. A professora de História da Arquitetura da PUCRS, Raquel Lima, evidencia essa especulação imobiliária das classes mais favorecidas. “Morar em um apartamento já era super moderno, ainda mais com um cinema embaixo”, conta.

A região ostentava uma vida noturna movimentada. Clubes de jazz e bares eram a preferência do público que transitava pelas calçadas da avenida. “As pessoas iam à Independência para verem e serem vistos. Era um ponto de paquera. Ali, as mulheres lançavam moda”, afirma Raquel.

Hoje, os casarões históricos, em sua maioria, deram lugar a prédios comerciais e residenciais. “Em toda a cidade, as áreas nobres estão sendo ocupadas por prédios. A verticalização pode servir quando a infra-estrutura é planejada, mas também pode causar impactos negativos. Por isso, esses espaços têm que ser muito bem pensados”, avalia a professora.

A mudança da Av. Independência de pólo cultural para centro residencial e comercial é impulsionada também por outra tendência: “A lógica é que os estabelecimentos de lazer saiam da calçada e vão para os shoppings, que atraem o novo público ligado à cultura”, explica a arquiteta. Portanto, o movimento urbano que transformaria o Teatro da OSPA em um condomínio não é novidade.

Mesmo com ações para revitalizar locais que costumavam servir como pontos de referência, é muito difícil que não se imponha a tendência de migração para ambientes fechados. “É um movimento muito complexo que envolve o desinteresse da sociedade pelo espaço urbano, por falta de segurança e por modismos. Há também uma influência
norte-americana muito forte”, conclui Raquel.

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