Exposição mostra evolução da mulher artista em 90 anos

No dia de mulher, fotógrafas exibem as dificuldades femininas para ter sucesso

  • Por: Manoela Neto (2º semestre) | Foto: Joana Berwanger | 08/03/2019 | 0

A obra ”Um teto todo seu” é inspiração para exposição ‘Um teto só pra mim’, realizada pelos integrantes do Benedictas Fotocoletivo, juntamente com a fotógrafa Flávia de Quadros, que abre nesta sexta, 8 de março, às 19h, no Espaço Cultural 512.

”Um teto só pra mim” tem seu enfoque na releitura do espaço da mulher artista. A autora do livro Virginia Woolf dizia, em 1929, que o espaço de criação feminino centralizava na literatura e que para mulher ter sucesso, ela precisava desistir de construir uma família e ficasse voltada exclusivamente para sua carreira.  

Passados 90 anos, doze mulheres artistas foram fotografadas em diferentes espaços de criação mostrando que hoje é possível conciliar carreira artística com vida familiar. A grafiteira Élin Godois, a rapper Negra Jaque e a baterista Biba Meira são algumas das artistas representadas nas fotos da exposição produzidas pelas fotógrafas Carol Ferraz, Estefânia Young, Flávia de Quadros, Francine Fischer, Giovana Fleck, Janaína Marques, Joana Berwanger, Luiza Castro e Maia Rubim. A proposta da exposição é questionar: o que mudou em neste período? Qual é o espaço de privacidade para a criação? Quais as condições necessárias para a mulher artista produzir livremente?

Negra Jaque escrevendo suas músicas no transporte público. Foto: Estefânia Young.

Um teto todo seu’, tese desenvolvida por Virginia Woolf, escritora e feminista, conhecida como uma das mais proeminentes figuras do modernismo, retrata em seu livro a presença feminina na literatura no século XX. Woolf afirma em seu livro que, as mulheres precisam somente de duas coisas para criarem uma nova literatura: um teto todo seu, ou seja, um quarto que pudesse ser trancado à chave para escrever, e dinheiro para se sustentar. A mulher deveria trabalhar (Virginia fazia parte da Liga do Trabalho Feminino) a fim de obter alguma independência, ou seja, para ter algum sucesso na literatura, ela teria que abrir mão de muitas coisas, como família.

A exposição é no dia 8 de março, às 19h, no Espaço Cultural 512 (rua João Alfredo, 512 – Cidade Baixa, Porto Alegre) o valor do ingresso é de R$5,00 até 20h e R$25,00 após 20h. A exposição poderá ser visitada até dois meses após o lançamento.